Tragédia na BR-373 traz à tona rotina de pacientes que viajam do interior para realizar tratamento médico em Curitiba
A viagem que terminou em tragédia na BR-373 , em Ipiranga, na última quarta-feira (19), fazia parte da rotina de moradores de Imbituva que precisavam deixar o município para buscar atendimento médico na Grande Curitiba . O micro-ônibus da Secretaria Municipal de Saúde transportava pacientes e acompanhantes do interior do estado quando bateu de frente com um caminhão. O acidente deixou 23 mortos e cinco sobreviventes .
O caso chamou atenção para uma realidade de muitas pessoas no estado. Em diferentes regiões do Paraná, pacientes precisam percorrer dezenas ou centenas de quilômetros para ter acesso a consultas, exames, cirurgias e tratamentos especializados que não estão disponíveis em seus municípios ou na própria região .
A dimensão desse deslocamento aparece nos dados de hospitais de referência de Curitiba e da Região Metropolitana. No Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR), por exemplo, cerca de 30% das consultas e internações são de pacientes de fora de Curitiba , segundo estimativa da instituição. Entre as cirurgias, 26% dos pacientes são do interior do Paraná.
Para algumas famílias, porém, o deslocamento não significa apenas passar algumas horas na estrada. O tratamento pode exigir meses longe de casa, mudanças na rotina e até afastamento do trabalho .
É o caso de Luana Ribeiro, de General Carneiro, no Sul do Paraná. Em entrevista à Banda B , ela contou que o filho dela, Paulo, hoje com 1 ano e 6 meses, foi encaminhado para Curitiba ainda nos primeiros dias de vida.
Durante a gestação, a família soube que o bebê poderia ter uma alteração no intestino. Depois do nascimento, Paulo foi internado em uma UTI neonatal em União da Vitória e, no terceiro dia de vida, transferido para o atendimento especializado. Segundo Luana, ele foi levado de ambulância até São Mateus do Sul e, de lá, seguiu de transporte aéreo para Curitiba.
A previsão de uma transferência hospitalar acabou se transformando em quase um ano de permanência na capital. Paulo ficou 360 dias internado no Hospital Pequeno Príncipe , onde passou por tratamento e reabilitação relacionados ao intestino curto.
Durante esse tempo, ela e o marido precisaram reorganizar completamente a vida . Inicialmente, alugaram um imóvel próximo ao hospital e passaram a se revezar no acompanhamento do filho. Um permanecia durante parte do dia e o outro à noite.
O marido de Luana também precisou deixar o trabalho para ajudar no acompanhamento de Paulo . Além das cirurgias, o menino precisou de tratamento prolongado, nutrição parenteral e medicamentos. A família também teve que recorrer à Justiça para conseguir parte dos recursos necessários ao tratamento, segundo a mãe.
A alta depois dos 360 dias não encerrou a necessidade de deslocamento. Paulo continua sendo acompanhado pelo Pequeno Príncipe e já precisou voltar a Curitiba para novas internações. No momento da entrevista, estava novamente internado havia 21 dias.
Quando está de alta, a família retorna para General Carneiro. Quando surge a necessidade de internação, volta para Curitiba.
Para Luana, a existência de um centro especializado na capital fez diferença no tratamento do filho.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bandab.com.br — o conteúdo pertence a Banda B.