Pesquisas erraram resultado da eleição? O que elas podem não ter captado, segundo especialistas
Confira a apuração para presidente e governador em seu Estado e município no mapa interativo da BBC News Brasil
As pesquisas de intenção de voto divulgadas na véspera do segundo turno apontavam para uma vantagem , ainda que apertada, de Flávio Bolsonaro (PL) em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No levantamentos divulgados pelo Datafolha e pela Quaest no sábado (24/10), o senador aparecia com 51% dos votos válidos, contra 49% do petista.
O resultado nas urnas, porém, mostrou uma realidade quase que inversa: Lula saiu vencedor, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio.
A diferença reacendeu um debate recorrente em torno da confiabilidade das pesquisas. Mas o que explica os cenários tão distintos? É possível dizer que os institutos responsáveis pelas sondagens erraram?
Para especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a resposta não é simples e tampouco é correto dizer que as pesquisas erraram.
Elas podem ter falhado em captar mudanças de comportamento ocorridas nos últimos dias da campanha, especialmente em relação ao comparecimento às urnas. Mas também é possível que o eleitorado tenha se movimentado depois que os levantamentos foram concluídos.
Em ambos os casos, o episódio expõe os desafios de medir eleições cada vez mais polarizadas, dizem.
"Em ambientes altamente polarizados, as preferências dos eleitores são muito estáveis, enraizadas e cristalizadas. O que acaba fazendo a diferença nos resultados são os fenômenos de mobilização relativa, o comparecimento às urnas ou turnout como ficaram conhecidos nos Estados Unidos", diz o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman.
Por isso, diz Roman, o principal desafio desta eleição pode não ter sido medir a preferência dos eleitores, mas sim prever quem efetivamente compareceria às urnas.
Segundo ele, boa parte dos institutos tenta estimar não apenas a intenção de voto, mas também a probabilidade de cada entrevistado votar.
O problema é que os modelos foram calibrados com base no comportamento observado no primeiro turno, quando a abstenção foi de 21,08% e 33.469.244 eleitores não compareceram à urna.
A hipótese levantada por Roman é que muitos levantamentos partiram da premissa de que esse padrão se repetiria.
Na véspera da votação de domingo (25/10), no entanto, houve uma grande mobilização entre os eleitores de Lula e a taxa de abstenção caiu para 19,22%, a maior queda entre o primeiro e o segundo turno desde a redemocratização.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bbc.com — o conteúdo pertence a BBC News Brasil.