Galípolo defende juro contracionista para frear demanda doméstica
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo , afirmou que a condução da política monetária pela autarquia no Brasil não visa colaborar com um crescimento puxado por mais consumo e mais demanda, mas sim para chegar a um patamar contracionista .
Durante conferência do banco Santander nesta segunda-feira (17), em São Paulo, Galípolo destacou, ainda, que a autoridade monetária monitora indicadores que apontam para uma economia brasileira sob contínua pressão de demanda.
Nesse contexto, o dirigente rechaçou qualquer hipótese de calibrar a Selic para estimular o consumo no curto prazo.
“Neste momento, o Banco Central não está pilotando a política monetária pensando em colocar a taxa de juros de uma maneira para colaborar com o crescimento puxado por mais consumo e mais demanda.
A gente está muito mais pensando em botar um patamar contracionista”, declarou Galípolo.
O presidente do BC ponderou que o foco do debate deve migrar para o aumento da produtividade do país : “Entram questões sobre o que é preciso fazer para conseguir com que os juros de mais longo prazo — que vão financiar projetos que podem alterar a produtividade — possam se apresentar de maneira mais interessante para viabilizar esses investimentos necessários.” Leia Mais Fraqueza do setor imobiliário da China se aprofunda em julho Gastos obrigatórios terão “travas” com impacto de R$ 10 bi, diz Durigan Focus: Mercado eleva expectativas para inflação e vê PIB menor em 2027 O BC cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), reduzindo os juros a 14% ao ano.
Para analistas do mercado, o comunicado da autarquia “deixou a porta aberta” para novo corte de mesmo tamanho, apesar de essa visão não ser considerada correta pela maior parte dos agentes.
Galípolo disse que o Brasil está num momento de pleno emprego, com uma economia cresce com a demanda acima da oferta e, “quando você olha para a política monetária, é óbvio que o mandato é você conseguir reequilibrar a oferta e demanda, e é por isso que a gente coloca a taxa de juros em um patamar restritivo”.
Pix como patrimônio global e o risco de infraestruturas paralelas Além do cenário macroeconômico, Galípolo abordou os avanços da agenda de inovação financeira e a consolidação do Pix no ecossistema de pagamentos .
Definido por ele como um “patrimônio da sociedade brasileira”, o sistema virou referência internacional e objeto de consulta por Bancos Centrais de países desenvolvidos.
O presidente do BC relembrou que, na concepção do projeto, existia o receio de que o setor privado não tivesse os incentivos adequados para bancar uma ferramenta pública desse porte.
No entanto, o tempo provou o contrário, ponderou.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.