“Guerra” eleitoral é entre “democracia liberal e republicanismo e quem admite fascismo e ditadura”, diz Tarso Genro
Ao completar a análise da última pesquisa Datafolha, que mostra que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) não impactou na avaliação do governo Lula, o ex-ministro Tarso Genro fez uma avaliação ampla sobre o que classificou como “guerra” travada pelo presidente contra Flávio Bolsonaro (PL) na disputa à Presidência.
“A guerra que se trava no nosso processo eleitoral, neste momento, é entre quem defende a democracia liberal e o republicanismo, de um lado, e quem admite o fascismo e a ditadura”, destacou o ex-governador do Rio Grande do Sul.
Segundo Genro, o que está posto nas eleições, não é uma comparação entre os governos Lula e Bolsonaro “como pensou erroneamente – pelo menos até agora – a coordenação da nossa campanha e talvez até o próprio Presidente Lula”.
“No curso desse ambiente de “guerra híbrida” – patrocinada por aquele protecionismo dos países ricos – não é a oposição entre modelos econômicos e a comparação qualitativa entre Governos, que desloca votos, “para lá ou para cá”.
Por quê? Porque em processos eleitorais a História é o cotidiano em estado puro.
Tudo se escoa no ralo da memória pela fibrilação do presente.
E nesse cotidiano as pessoas querem saber o que vai ser do seu futuro imediato e que, se a democracia que aí está pode lhes indicar um caminho de paz, justiça, trabalho e segurança e empreendedorismo (sim, empreendedorismo!) para viverem em comunidade”, escreveu.
“Se a democracia não oferece um perspectiva segura dentro desse contexto, uma boa parte do povo – das classes médias para baixo – aderem tranquilamente a um regime autoritário que lhes promete fazer tudo, em poucos dias: segurança pública, matar bandidos; dívida pública, cortar gastos sociais; relações internacionais, aceitar o protetorado norte-americano; corrupção, condenar todo mundo, mesmo que sem respeitar as formas legais”, emendou Genro.
Traçando um comparativo do atual cenário com a ascensão do nazismo, de Adolph Hitler, na Alemanha, Genro acredita que a partir da próxima segunda-feira (21), faltando 15 dias para a eleição, será definido não quem vai ser o próximo presidente, mas se a disputa será encerrada já no primeiro turno.
“No nazismo, todo esse imediatismo foi concentrado numa só tarefa estatal: a eliminação “saneadora” de um povo inteiro, o povo judeu.
Falar sobre o futuro com grandeza épica, de quem já fez – como Lula – pode derrotar o “partido” do crime organizado, de quem só fez o mal, como os Bolsonaros.
Penso que este é quadro político que vai se desenhar, a partir da próxima segunda-feira e que vai decidir, na verdade, não quem vai ser o próximo Presidente.
Mas se já o teremos no primeiro turno”, afirmou.
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