O nazismo não tem lugar, nem mesmo como arte, nem como provocação
Nesta quarta-feira, um estudante do curso de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi agredido dentro do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS).
Ele chegou usando uma camiseta da banda britânica Death in June, que utiliza símbolos, nomes e uniformes militares associados ao Terceiro Reich.
Na gola da jaqueta, o jovem portava um button com um símbolo de proibido sobreposto a uma suástica, e a estampa da camisa trazia uma "totenkopf", a caveira estilizada símbolo das SS, a polícia de Hitler.
Dificilmente haja alguém no mundo que não tenha a consciência mínima do que o nazismo foi e o quão abjeto ele é. Não há quem tenha nascido pós Segunda Guerra que não tenha crescido ouvindo e aprendendo o que, minimamente, ser nazista quer dizer.
A opção por qualquer símbolo ou gesto que reporte ao nazismo como ostentação está completamente fora de cogitação em qualquer lugar do mundo. Em qualquer contexto.
O jovem escolheu a camisa de uma banda, da qual ele poderia dizer que não conhecia tão bem as posições. Ele poderia dizer que não fazia ideia de que a caveira que sua camisa estampava era, na verdade, uma "totenkopf".
Embora quase impossível para um jovem de sua idade, ele poderia até não ter visto a suástica como uma suástica. Mas ele não ter noção de todas essas coisas juntas, é realmente impossível. Obviamente, ele se preparou e foi.
Mas aí temos um linchamento. Uma situação que poderia ser resolvida com uma exposição vexatória para o rapaz de sua provocação irresponsável foi respondida com violência coletiva. Sim, um erro crasso, e nada justifica isso.
Mas também sabemos que este é o mundo real. A espiral de violência funciona exatamente assim. As agressões sofridas pelo jovem vieram como uma onda, após a sua recusa de se retirar e de ofender os estudantes, ao reafirmar sua indumentária e sua provocação.
Não deveríamos torcer por seu linchamento. Mas deveríamos ter das autoridades a resposta que sua provocação precisa ter. Estão corretos os primeiros alunos que o abordaram, que se moveram para que ele deixasse a universidade e acionasse inclusive a polícia.
Em tempos radicalizados como o nosso atual, o nazismo é o tipo de coisa que só não volta se for energicamente rechaçado onde ousar se manifestar. Pouco interessa se há bandas que brincam de serem nazistas, ou quem ache que símbolos são apenas símbolos. O nazismo não tem lugar.
O nazismo, e qualquer referência a ele, consciente ou inconsciente, não merece margem de tolerância; não é liberdade individual de expressão, não é razoável em qualquer sociedade.
Será muito ruim se o nosso debate, para este caso, for sobre a suposta intolerância dentro de uma universidade, instituição que por essência contempla a diversidade de pensamento.
Gustavo foi suspenso, posteriormente expulso, e em 2021 condenado a 2 anos e 4 meses de prisão. É assim que tem de ser. Você não dá margem, nem uma sequer, para acreditar que nazismo, como a escravidão, é razoável e passível de interpretação.
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