Nelsinho Trad encerra gestão no Parlamaz em meio a alertas sobre garimpo ilegal
Dragas escondidas debaixo d’água para escapar da fiscalização, contaminação por mercúrio acima dos valores de referência da OMS (Organização Mundial da Saúde) e recrutamento de crianças e adolescentes por organizações criminosas estão entre os problemas relatados por parlamentares de países amazônicos durante assembleia do Paralamaz (Parlamento Amazônico), realizada em Yerevan, na Armênia.
O encontro, à margem da COP17 da Biodiversidade, também marca o encerramento da presidência do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que liderou a retomada das atividades do colegiado após anos de inatividade.
As denúncias apresentadas por representantes do Peru, Equador e Bolívia evidenciaram como o garimpo ilegal está associado a outros crimes e amplia os riscos ambientais e sociais na Amazônia.
Os relatos apontaram dificuldades para fazer cumprir a legislação, contaminação de rios e peixes, violência sexual contra meninas e adolescentes e exploração ilegal de recursos naturais.
Durante a assembleia, o senador peruano Víctor Manuel Noriega Reátegui foi eleito por aclamação para assumir a presidência do Parlamaz, que volta a ser comandado pelo Peru, país onde o organismo foi criado, em 1989.
A mudança encerra o ciclo de Nelsinho Trad à frente da instituição, período marcado pela reativação dos trabalhos parlamentares e pela articulação de iniciativas de cooperação entre os países da região.
Garimpo dribla fiscalização e contamina rios - A parlamentar peruana Azucena Isla Rojas, representante de Loreto, relatou que operadores de dragas utilizadas no garimpo ilegal escondem os equipamentos debaixo d’água quando a polícia e o Exército chegam para fiscalizar as áreas de exploração.
Depois que as autoridades deixam o local, a atividade é retomada.
“O problema não é a falta da norma, mas que a norma não chega ao rio”, afirmou.
A parlamentar também alertou para os efeitos da contaminação por mercúrio.
Segundo os dados apresentados por ela, em Pintuyacu, no Peru, 79% dos níveis de mercúrio mencionados em seu relato estavam acima do valor de referência da OMS.
A presença do metal na água e nos peixes consumidos pelas comunidades preocupa devido aos riscos à saúde, especialmente para o desenvolvimento neurológico de crianças.
O problema, conforme a representante peruana, vai além dos impactos ambientais e está relacionado à atuação de redes criminosas que também praticam narcotráfico, contrabando e tráfico de pessoas.
Entre as medidas defendidas por Azucena estão a harmonização das legislações dos oito países amazônicos, o monitoramento do comércio de mercúrio e a criação de uma rede interparlamentar de alerta para ameaças contra lideranças indígenas e defensores do meio ambiente.
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