Petróleo já sobe 77% no ano: por que a disparada está assustando os mercados?
O petróleo disparou mais de 6% nesta quinta-feira (10), levando o tipo Brent a US$ 107,63 por barril e ampliando para cerca de 77% a alta acumulada no ano.
A nova arrancada acendeu ainda mais o alerta dos mercados para os efeitos da guerra com o Irã sobre a oferta global de energia e, por consequência, sobre a inflação e os juros ao redor do mundo.
O Brent, referência internacional e brasileira, avançou 6,34%, no maior nível desde meados de maio, conforme dados da agência Reuters.
Nos Estados Unidos, o WTI subiu 6,7%, a US$ 102,48, e rompeu a marca de US$ 100 pela primeira vez desde maio.
Os dois contratos tiveram a maior alta diária em quase dois meses.
O gatilho desta quinta foi uma nova escalada dos ataques a navios e instalações de energia no Oriente Médio.
Os houthis, alinhados ao Irã, tomaram o controle do porto de Mocha, no Iêmen, aumentando o risco para o tráfego no Mar Vermelho justamente quando a circulação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz já está muito abaixo dos níveis anteriores à guerra.
Na quarta-feira, o Irã afirmou ter atacado dez navios próximos a Ormuz, depois de os Estados Unidos atingirem cinco petroleiros iranianos.
O presidente americano, Donald Trump, também voltou a ameaçar novos ataques ao território iraniano e afirmou que a guerra provavelmente continuará além das eleições legislativas de novembro.
A preocupação do mercado é que o risco de interrupção no fornecimento deixe de estar concentrado em Ormuz, uma das principais rotas mundiais de petróleo, e se espalhe para outras rotas de exportação, instalações de produção e infraestrutura de energia da região.
Esse cenário ajuda a explicar por que o petróleo acumula uma valorização tão forte em 2026.
Além dos problemas de circulação no Golfo, a produção da Opep caiu 640 mil barris por dia em agosto, segundo levantamento da Reuters, com as exportações sauditas afetadas pela guerra e os embarques iranianos pressionados pelo bloqueio americano.
Do lado da demanda, a China voltou a aumentar suas compras nas últimas semanas.
Analistas avaliam que uma recuperação mais firme do maior importador mundial de petróleo pode amplificar o impacto de novas interrupções de oferta e manter os preços elevados.
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