Governo instala conselho de minerais críticos e prepara 1ª reunião
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta 4ª feira (16.set.2026) o decreto que regulamenta o CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos).
O colegiado definirá o direcionamento da política brasileira para o setor.
Com o órgão instalado, o governo pretende realizar a 1ª reunião nos próximos 10 dias, possivelmente na próxima semana.
Em um 1º momento, a ideia é discutir a elaboração da Lista Oficial de Minerais Críticos e Estratégicos, uma das atribuições do conselho.
Se houver consenso entre os integrantes durante esse encontro inicial, a relação já poderá ser votada e aprovada diretamente.
A cerimônia de assinatura e instalação do colegiado foi realizada no Palácio do Planalto, junto da sanção do projeto de lei que cria a PNMCE (Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos).
O órgão terá representantes de 13 ministérios, além da CNI (Confederação Nacional da Indústria), do Ibram (Instituto Nacional de Mineração), da AMIG (Associação Brasileira dos Municípios Mineradores) e do governo da Bahia.
Os conselheiros foram nomeados durante o evento em portaria assinada pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior.
A medida centraliza as decisões sobre minerais críticos sob o controle do Palácio do Planalto em um momento em que cresce o interesse de norte-americanos e europeus no potencial geológico brasileiro.
A ideia é que o órgão tome decisões sobre projetos e operações consideradas estratégicas para a soberania nacional, além de definir critérios para a aplicação de instrumentos de financiamento criados pela nova lei, como o FGAM (Fundo Garantidor da Atividade Mineral), que terá aportes de até R$ 2 bilhões da União.
“O conselho tem a atribuição de formular e apresentar para o Brasil a política nacional para a industrialização dos minerais críticos, definir as regras de investimentos de fomento, dos financiamentos, do acesso ao fundo garantidor e também as regras que vão ser utilizadas para analisar compras de empresas brasileiras por outros países, na lógica dessa soberania” , disse a jornalistas Rogério da Veiga, secretário de Articulação e Monitoramento da Casa Civil.
Um dos pontos mais sensíveis da nova política é o poder que o texto dá ao conselho para avaliar e homologar operações de relevância estratégica no setor, como transferências de controle societário, compartilhamento de informações geológicas ou contratos internacionais envolvendo minerais críticos e estratégicos.
Essa atribuição é vista com preocupação pelo setor de mineração, que teme a possibilidade de insegurança jurídica e afastamento de investimentos estrangeiros.
Ainda não há definição de quais serão os critérios usados para essa avaliação.
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