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Lula garante continuidade no Itamaraty, mas mandato começa sob pressão de Trump

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Lula garante continuidade no Itamaraty, mas mandato começa sob pressão de Trump

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a reeleição presidencial no domingo (25) e garantiu o quarto mandato presidencial.

A sinalização é de continuidade na política externa brasileira.

O quadro das relações de força no plano internacional, porém, é que deve impor grandes desafios ao governo reeleito.

O “trumpismo ativo” deve ser o principal elemento perturbador do próximo mandato de Lula.

O petista, porém, tem enfrentado as dificuldades vindas de Washington através de um discurso de defesa da soberania nacional.

A avaliação é Paulo Roberto de Almeida, que dirigiu o Instituto de Pesquisa em Relações Internacionais (Ipri) e serviu nas embaixadas em Berna, Belgrano e Paris, além de ter sido Ministro-Conselheiro na Embaixada em Washington (1999-2003) e Assessor Especial no Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (2003-2007).

Leia também New York Times critica interferência de Trump no Brasil Em editorial publicado no dia do segundo turno, jornal americano cita tarifas e sanções contra autoridades brasileiras e afirma que pressões externas prejudicam a democracia e os interesses dos EUA Lula supera 64 milhões de votos e bate recorde histórico em eleição presidencial Reeleito neste domingo (25), petista supera a própria marca de 2022, quando recebeu 60,3 milhões de votos no segundo turno contra Jair Bolsonaro A hipótese de Almeida é que o Brasil não deverá escolher um lado na disputa entre EUA e Pequim.

Essa abordagem condiz com o próprio histórico de posicionamento do Brasil no plano internacional: como potência média, o país nunca foi exatamente um aderente explícito a qualquer bloco de poder, sendo mais conhecido pela capacidade de trânsito entre governos e países distintos, incluindo potências.

“Nós tivemos relações com os Estados Unidos como principal parceiro econômico, comercial, tecnológico e militar.

A China é o principal parceiro comercial há mais de 15 anos e libera saldos superavitários absolutamente relevantes para o Brasil “, explica Almeida.

“O Itamaraty tentará conciliar padrões diplomáticos, o que já vem de décadas”, diz o diplomata.

Trump e a gramática da imposição A principal dificuldade do governo Lula 4, no plano internacional, terá menos que ver com o próprio governo, e estará mais ligada a Washington.

Desde a sua primeira chegada à Casa Branca, em 2017, e com mais força ainda no seu retorno, em 2025, o republicano tem implodido as bases da balança de equilíbrio do poder, com efeitos no próprio Ocidente.

Os EUA de hoje falam pouco em parceria estratégica, apostando, na realidade, em uma abordagem mais intimidatória.

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