JPMorgan corta shopping e construtoras de média renda após eleição e cita 3 favoritas
A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno levou o JPMorgan a promover uma ampla revisão de suas recomendações para os setores de construção civil, shopping centers e bens de capital.
Em relatório divulgado nesta terça-feira, o banco argumenta que a disparada dos juros de longo prazo e a desvalorização do real devem manter um ambiente de “juros mais altos por mais tempo”, exigindo uma realocação das preferências dos investidores.
Como resultado, o banco rebaixou as recomendações de Cyrela ( CYRE3 ), Eztec ( EZTC3 ), Iguatemi ( IGTI11 ), Multiplan ( MULT3 ) e Allos ( ALOS3 ) de overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para neutra.
Ao mesmo tempo, elevou Cury ( CURY3 ), Direcional ( DIRR3 ) e Tenda ( TEND3 ) para overweight , enxergando maior resiliência nessas empresas diante do novo cenário macroeconômico.
No segmento de bens de capital, o JPMorgan também rebaixou Marcopolo ( POMO4 ) para neutra e estabeleceu preço-alvo de R$ 9 por ação, citando perspectiva de resultados mais fracos e falta de catalisadores no curto prazo.
Segundo o banco, a principal mudança de cenário ocorreu após a forte abertura da curva de juros, com as taxas longas avançando cerca de 240 pontos-base para 15,1%, ao mesmo tempo em que o real se depreciou aproximadamente 9%.
Nesse ambiente, empresas mais dependentes do crédito doméstico e de valuations sustentados por juros baixos tendem a sofrer mais pressão.
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Minha Casa Minha Vida vira porto seguro A principal mudança de posicionamento do JPMorgan foi em favor das construtoras voltadas para baixa renda.
O banco elevou Cury ( CURY3 ), Direcional ( DIRR3 ) e Tenda ( TEND3 ) para overweight por entender que a forte exposição dessas companhias ao programa Minha Casa Minha Vida tende a proteger seus resultados.
Os analistas também revisaram os preços-alvo para R$ 43 por ação para a Cury, R$ 53 para a Direcional e R$ 28 para a Tenda.
Segundo os analistas, mais de 80% dos lançamentos dessas empresas estão vinculados ao programa habitacional, que deve continuar recebendo apoio do governo Lula.
O JPMorgan destaca que, mesmo em um cenário de inflação e juros elevados, o governo pode amenizar os impactos por meio de aumentos nos tetos dos imóveis financiáveis e condições mais favoráveis de crédito.
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