Um continente inteiro está se movendo mais rápido que qualquer outro do planeta — e os cientistas explicam por que isso é um problema para o GPS mundial
Parece impossível perceber, mas a Austrália está literalmente mudando de posição no mapa todos os anos
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Parece impossível perceber, mas a Austrália está literalmente mudando de posição no mapa todos os anos. O continente avança cerca de 7 centímetros por ano em direção ao norte-nordeste , movimento que o coloca entre as massas continentais mais rápidas do planeta e cria um problema inesperado para sistemas de posicionamento que dependem de coordenadas extremamente precisas.
A Austrália está sobre a Placa Australiana , uma das placas tectônicas que apresentam maior velocidade de deslocamento. Enquanto muitas placas continentais avançam cerca de 1 a 3 centímetros por ano, o território australiano percorre aproximadamente 7 centímetros anuais.
Esse movimento é provocado por forças no interior da Terra que deslocam a placa em direção ao norte-nordeste, aproximando-a do sudeste asiático. O ritmo é invisível no cotidiano, mas se torna significativo quando medido ao longo de décadas.
A dimensão do deslocamento fica mais impressionante quando o movimento anual é acumulado. Em uma década, os cerca de 7 centímetros por ano representam aproximadamente 70 centímetros ; em um século, a diferença pode chegar a 7 metros .
Até 2020, a defasagem entre as coordenadas utilizadas como referência e a posição física do continente já chegava a aproximadamente 1,8 metro .
Para um aplicativo comum de celular, isso tende a ser irrelevante, mas pode representar um problema considerável em sistemas que trabalham com precisão centimétrica.
Confira um pouco mais sobre o movimento do continente Australiano no vídeo abaixo do canal “ Earthly “
Sistemas de GPS e outras tecnologias de navegação por satélite dependem de referenciais geodésicos , que estabelecem coordenadas para determinar com precisão a localização de cada ponto da superfície terrestre.
O problema aparece porque essas coordenadas precisam acompanhar uma superfície que está permanentemente em movimento. Ao longo dos anos, pequenos deslocamentos acabam se acumulando e criando diferenças relevantes para aplicações de alta precisão.
Os principais efeitos aparecem em atividades que dependem de posicionamento centimétrico, como:
A solução foi atualizar o sistema oficial de referência para acompanhar a posição real do território. Em 2020, o país adotou o GDA2020 (Geocentric Datum of Australia 2020) , realinhando as coordenadas oficiais com a localização determinada por técnicas modernas de posicionamento.
Como a placa tectônica não parou de se mover depois da atualização, o processo não termina aí. Novas correções e atualizações são necessárias para manter a precisão das coordenadas ao longo do tempo.
O caso australiano revela uma característica fundamental do planeta: os mapas parecem estáticos, mas a superfície terrestre está em movimento contínuo. América do Norte e Europa, por exemplo, também se deslocam, geralmente em velocidades menores, na faixa de 2 a 3 centímetros por ano.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.