Pelagem funciona como ‘impressão digital’ para identificar tamanduás-bandeira
As marcas naturais da pelagem podem funcionar como uma espécie de identidade dos tamanduás-bandeira e ajudar pesquisadores a reconhecer o mesmo animal em fotografias feitas em diferentes períodos.
A partir da análise de 553 registros obtidos por armadilhas fotográficas no Pantanal e no Cerrado, cientistas liderados pelo ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres) organizaram um catálogo visual com características que permitem diferenciar os indivíduos e ampliar o acompanhamento da espécie ao longo do tempo.
Publicado na revista científica Mammal Research, o estudo envolveu cerca de 120 horas de análise.
Dos 553 registros avaliados, 36 imagens que atendiam aos critérios de visualização da pelagem foram selecionadas para compor o catálogo.
Autor do estudo, o biólogo Gabriel Massocato explica que a identificação considera uma combinação de características, principalmente as duas faixas brancas e a faixa escura do dorso, as manchas próximas aos cotovelos e o chamado “bracelete”, nas patas dianteiras.
Espessura, curvatura, distância, formato e contraste dessas marcas variam entre os animais.
Detalhes no pulso, na crina e nas patas também ajudam na diferenciação.
A pesquisadora Alessandra Bertassoni ressalta que nenhuma dessas marcas, isoladamente, identifica um animal.
“O que funciona como identificador individual é a combinação de várias características.
Usando esses elementos, conseguimos construir uma espécie de identidade visual de cada animal a partir de um conjunto de detalhes da sua pelagem.” Identificação ganha critérios - Reconhecer tamanduás-bandeira individualmente por fotografias não é uma técnica nova.
Estudos anteriores já demonstraram que as marcas naturais da pelagem podem ser usadas para essa finalidade.
O avanço do novo trabalho está em organizar visualmente essa diversidade e criar uma referência para orientar as comparações.
Segundo Alessandra, profissionais que trabalham há anos com a espécie desenvolvem um olhar treinado para perceber diferenças entre os indivíduos.
O catálogo sistematiza esse conhecimento ao indicar quais características devem ser observadas e como podem variar, além de servir de referência para pesquisadores menos experientes.
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