Aceno de Trump à Coreia do Norte preocupa aliados
Os exercícios, batizados de Ulchi Freedom Shield (Escudo de Liberdade Ulchi), começaram nesta segunda-feira (17/08) e têm duração de 11 dias.
No domingo (16/08), Trump anunciara via redes sociais que mandou o Pentágono "reduzir substancialmente" o envolvimento dos EUA nos exercícios, por considerá-los "caros".
Segundo Trump, a participação americana enviaria à Coreia do Norte um "sinal totalmente inadequado e hostil". O argumento é que o regime de Kim Jong-un tem sido "não ameaçador e respeitoso" em relação ao seu governo.
O raciocínio parece ignorar a recente série de testes de mísseis realizados pela Coreia do Norte, bem como a ameaça de elevar seu nível de dissuasão nuclear em resposta às manobras — que a imprensa estatal chamou de "ensaio para uma guerra de invasão".
Trump também sugeriu que sua decisão foi influenciada, em parte, pela recusa do governo sul-coreano em ajudar no processo de "desnuclearização" do Irã.
Na segunda-feira (17/08), Trump reafirmou a jornalistas na Casa Branca que decidiu limitar o alcance e a escala da participação americana nos exercícios. Segundo ele, o líder norte-coreano Kim Jong Un respondeu positivamente à sua proposta de retomada do diálogo.
Que consequências a redução dos exercícios militares conjuntos na Coreia do Sul poderá ter?
A redução dos exercícios anuais ocorre em um momento em que Kim Jong-un se sente fortalecido por uma aliança cada vez mais estreita com a Rússia.
Ao mesmo tempo, Pyongyang vem desmontando importantes bases das relações intercoreanas. Nos últimos anos, o regime abandonou oficialmente o objetivo histórico de reunificação da península coreana e alterou sua Constituição para designar a Coreia do Sul como seu principal inimigo.
Para Leif-Eric Easley, professor de Estudos Internacionais da Universidade Feminina Ewha, em Seul, reduzir os exercícios militares sob o argumento de reduzir gastos não faz sentido.
"A economia obtida é marginal, enquanto os benefícios diplomáticos para as relações com a Coreia do Norte são duvidosos", afirma.
Segundo ele, Kim não demonstrou "nenhum interesse" nas propostas de Washington e Seul para discutir uma eventual eliminação do arsenal nuclear norte-coreano.
"As recentes publicações de Trump sobre Kim Jong-un sugerem disposição para reengajar o diálogo, mas a Coreia do Norte está ocupada lucrando com a guerra da Rússia contra a Ucrânia enquanto moderniza suas próprias Forças Armadas", pontua.
Easley diz que reduzir os exercícios conjuntos de defesa pode prejudicar a coordenação da aliança entre EUA e Coreia do Sul e ser contraproducente, já que retardaria o processo de fortalecimento das capacidades defensivas sul-coreanas, além de possivelmente encorajar conflitos na Ásia.
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