Um anel de 518 metros no interior de São Paulo abriga a maior infraestrutura científica já construída no Brasil e coloca o país no clube dos síncrotrons de quarta geração
A instalação ampliou a capacidade brasileira de estudar materiais em escala microscópica
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Grandes obras científicas costumam ser associadas à Europa ou aos Estados Unidos , e poucos brasileiros imaginam que uma delas foi erguida em terreno paulista, a menos de 100 km da capital. Em Campinas , um prédio circular do tamanho de um estádio guarda o Sirius , acelerador de partículas capaz de produzir uma luz tão intensa que permite enxergar o arranjo dos átomos dentro de um material. O equipamento transformou a cidade em endereço obrigatório da pesquisa de ponta na América Latina .
O Sirius é uma fonte de luz síncrotron , expressão que descreve a radiação emitida por elétrons acelerados quase à velocidade da luz e forçados a mudar de trajetória por campos magnéticos. Conforme o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) , o equipamento é a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no país e funciona como uma instalação aberta, disponível para pesquisadores brasileiros e estrangeiros.
Na prática, funciona como um microscópio gigantesco. A luz gerada cobre do infravermelho aos raios X e é conduzida até estações experimentais chamadas linhas de luz, onde amostras de rocha, tecido humano, solo, bateria ou vírus revelam sua estrutura em escala atômica. O anel principal tem 518,4 metros de circunferência e opera com elétrons de 3 GeV , patamar que coloca o Brasil no grupo restrito de países com síncrotron de quarta geração.
O projeto foi bancado com dinheiro público federal e executado por equipes nacionais. Segundo a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) , cerca de 85% dos recursos foram investidos dentro do país, com contratos firmados com mais de 300 empresas brasileiras, das quais 45 participaram diretamente do desenvolvimento tecnológico ao lado do LNLS.
A operação segue em expansão. De acordo com a Agência Gov , quatro novas linhas de luz foram inauguradas no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) , ampliando a capacidade de pesquisa em saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais. Em escala de investimento, é uma obra comparável a grandes projetos de infraestrutura do estado, como o primeiro túnel imerso da América Latina, entre Santos e Guarujá .
Quem quer entender a ciência e a tecnologia por trás do acelerador de partículas Sirius , vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Manual do Mundo , que conta com mais de 1,6 milhão de visualizações, onde Ibere Thenorio mostra os detalhes da estrutura e o funcionamento do acelerador em Campinas – São Paulo :
Precisão dessa ordem esbarra em um problema banal: vibração. Um caminhão passando na estrada ou o vento batendo na estrutura já bastaria para desalinhar o feixe de elétrons, e por isso o piso onde ficam os equipamentos foi construído isolado do restante da edificação, apoiado em uma base própria que não transmite as trepidações do entorno.
O mesmo raciocínio vale para a temperatura, mantida sob controle rígido porque a dilatação de poucos milímetros em componentes metálicos comprometeria a trajetória do feixe.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.