Suspensa sobre um cânion a mais de 500 metros de altura, esta ponte precisou combinar torres gigantescas, cabos de aço e uma estrutura aerodinâmica para permitir que veículos atravessem um vazio onde construir pilares intermediários seria praticamente impossível
A travessia sobre o vale do rio Beipan combina torres altíssimas, estais e um tabuleiro metálico pensado para vento e relevo extremo
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No sudoeste da China, a travessia sobre o vale do rio Beipan exigiu uma solução que praticamente eliminasse a ideia de apoios no fundo do cânion. A Ponte Duge foi inaugurada em 2016 com tabuleiro a cerca de 565 metros acima do vale, extensão total de aproximadamente 1.341 metros e vão principal de 720 metros. Em vez de descer até o fundo e voltar a subir por estradas sinuosas, os veículos passaram a cruzar o desfiladeiro por uma estrutura estaiada apoiada em grandes torres, com tabuleiro metálico pensado para resistir ao vento e ao terreno montanhoso.
A solução adotada foi uma ponte estaiada, em que o tabuleiro fica sustentado por cabos inclinados ligados diretamente às torres. Isso permitiu vencer o grande vazio do vale sem criar pilares intermediários em uma área extremamente íngreme e de difícil acesso. O tabuleiro cruza o cânion do rio Beipan, na ligação entre as províncias de Guizhou e Yunnan.
As torres principais também precisaram se adaptar ao relevo desigual das duas margens. A torre mais alta chega a cerca de 269 metros, enquanto a outra fica pouco abaixo disso, perto de 247 metros. Essa diferença ajuda a entender por que pontes em terreno montanhoso raramente são simétricas como parecem nas fotos.
Os principais responsáveis pela sustentação são as torres, os estais de aço e o próprio tabuleiro metálico, que funciona como uma viga contínua distribuindo cargas. Como se trata de uma travessia rodoviária de quatro faixas, a estrutura precisava suportar não apenas seu próprio peso, mas também vento, variações térmicas e o tráfego diário de veículos.
O vídeo abaixo mostra a escala da obra e ajuda a visualizar como a ponte foi implantada em um terreno quase impossível para métodos convencionais de travessia.
Em uma ponte tão alta, levar equipamentos pesados até o fundo do vale para erguer apoios não seria a solução mais lógica. Por isso, a construção concentrou esforços nas margens e avançou com a montagem do tabuleiro em segmentos, utilizando cabos, torres provisórias e equipamentos de içamento adaptados à profundidade do cânion.
O desafio não era apenas erguer peças metálicas em grande altura, mas também alinhar tudo com precisão. Em pontes desse tipo, pequenos desvios podem gerar grandes efeitos quando a estrutura começa a trabalhar como um sistema único. Por isso, topografia, controle geométrico e sequência de montagem são tão importantes quanto concreto e aço.
A essa altura, o vento deixa de ser um detalhe e passa a ser uma das ações centrais do projeto. O tabuleiro metálico foi concebido com forma mais eficiente do ponto de vista aerodinâmico para reduzir oscilações e melhorar o comportamento da travessia. Em obras desse porte, ensaios e simulações ajudam a prever vibrações e deformações antes da abertura ao tráfego.
O terreno também impôs desafios geológicos e logísticos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.