OAB diz ver violação da PF em buscas contra advogado Willer Tomaz
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) pediu ao Supremo para fazer parte da ação que apura se a Polícia Federal descumpriu determinações do ministro André Mendonça durante o cumprimento de mandado de busca no escritório Willer Tomaz, investigado por envolvimento nas fraudes no INSS .
Ordem dos Advogados apontou "possíveis violações às prerrogativas profissionais da advocacia durante o cumprimento do mandado". Em pedido de ingresso como assistente na investigação protocolado ontem, a entidade afirmou que agentes da PF teriam "descumprido cautelas expressamente determinadas" por Mendonça para preservar o sigilo profissional de Tomaz.
OAB destacou que foto de item apreendido no escritório foi divulgada na imprensa com a busca em andamento. A própria Ordem informou no documento protocolado que, segundo a PF, a imagem teria sido compartilhada com sua assessoria de comunicação social.
Entidade de advogados pediu para ingressar no processo como assistente. Ao justificar o pedido, a OAB se apoiou no princípio da inviolabilidade profissional, assegurada pela Constituição e pelo Estatuto da Advocacia.
Operação investiga lavagem de dinheiro desviado dos aposentados. A fase deflagrada em 4 de agosto mirou Tomaz e parentes do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula (PT) no Senado. Mendonça autorizou 18 mandados de busca e apreensão em Brasília e no Maranhão.
PF suspeita que o advogado tenha atuado na lavagem de dinheiro para o senador. Weverton não sofreu mandados de busca, mas teve bens bloqueados pelo STF. A esposa, Samya Lorene, e duas irmãs do político foram alvos da PF.
Tomaz é apontado como "hub financeiro" de Weverton. Ele atuava para lavar dinheiro desviado de aposentados e pensionistas do INSS e outros crimes, segundo a investigação. A afirmação consta na decisão do ministro Mendonça.
Ele é conhecido por sua relação com políticos. Além da relação com Weverton, é próximo do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ( PL-RJ ). O advogado já foi preso pela PF em 2017, à época das investigações sobre os irmãos Batista e a JBS.
Advogado diz que é investigado por ser dono de avião. E m nota, Tomaz disse que a "diligência de busca e apreensão a que foi submetido (...) decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público". O advogado afirmou ainda que "não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal".
Weverton afirmou que não tem nada a esconder e criticou a operação. "Apesar de não ter sido diretamente o alvo da operação de hoje, eu sabia que, com a minha candidatura ao Senado e as minhas posições políticas, sofreria ataques", declarou. Em texto e em um vídeo, ele também afirma que "todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais e que foram devidamente declaradas à Receita Federal."
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