Maior exposição de grafite e arte urbana do mundo apresenta em Paris 50 anos de contracultura
Nascido nos vagões do metrô nova-iorquino e durante décadas associado à ilegalidade, o grafite ocupa hoje museus, galerias e grandes exposições internacionais sem abandonar o debate sobre suas origens. Em cartaz até 23 de agosto na Grande Halle de La Villette, em Paris, Beyond the Streets reúne mais de cem artistas e cinco décadas de produção para mostrar como uma prática marginal transformou a arte contemporânea, influenciou a música, a moda, o design e a cultura visual em escala global.
De um lado, vagões de metrô cobertos por assinaturas feitas às pressas durante a madrugada. De outro, instalações monumentais, obras preservadas em coleções e artistas expostos em instituições culturais de prestígio. Poucas formas de expressão percorreram um caminho tão improvável quanto o grafite. É justamente essa transformação que a exposição Beyond the Streets propõe investigar na Grande Halle de La Villette , onde mais de cem artistas ocupam 3.600 metros quadrados com obras, fotografias, documentos raros, esculturas e ambientes imersivos dedicados à história das culturas urbanas.
Apresentada anteriormente em Los Angeles, Nova York, Londres e Xangai, a mostra chega pela primeira vez à capital francesa sob a curadoria de Roger Gastman, um dos principais historiadores do grafite nos Estados Unidos. A edição parisiense foi concebida como uma homenagem à relação singular da cidade com a arte urbana, sem perder de vista a ambição de traçar uma narrativa internacional desse movimento que atravessou fronteiras e influenciou diferentes campos da produção cultural .
Para Gastman, Paris nunca foi apenas mais uma parada na circulação internacional da exposição."Queríamos vir para Paris desde a primeira edição da mostra, em Los Angeles. É uma cidade central para a história da arte urbana e para a história da arte na Europa de forma geral."
O curador afirma que a presença da mostra na França faz parte de um projeto antigo. Segundo ele, apenas faltavam o local e as condições adequadas para concretizar a edição parisiense.
"Paris não é uma reflexão posterior. Paris é uma cidade importante e continua sendo uma cidade importante. Estamos felizes em vir para cá e contar muitas histórias de Paris misturadas às histórias globais que Beyond the Streets se tornou conhecida por apresentar."
A exposição procura demonstrar que a história da intervenção urbana na França antecede em muito o surgimento do grafite contemporâneo associado aos metrôs de Nova York. Ao comentar a cena francesa, Gastman recorda o trabalho do fotógrafo Brassaï, que documentou inscrições anônimas encontradas nos muros de Paris entre as décadas de 1930 e 1940. As imagens realizadas pelo artista franco-húngaro deram origem, em 1956, a uma exposição no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), frequentemente apontada como uma das primeiras iniciativas institucionais a olhar para o grafite como objeto de interesse artístico.
"A cena francesa do grafite e da arte urbana é muito ativa, e sempre foi", afirma. Para ele, a própria paisagem subterrânea da cidade ajuda a compreender essa continuidade histórica.
"As catacumbas têm uma história extremamente rica de inscrições nas paredes.
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