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Livros da Fuvest: Poesia de 'Geografia' percorre lugares concretos e simbólicos

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Livros da Fuvest: Poesia de 'Geografia' percorre lugares concretos e simbólicos

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Ultrapassando a descrição cartográfica, escritora toca a subjetividade e a história ao atravessar o Atlântico para reencontrar um mundo que sua produção já havia imaginado. É assim no livro "Geografia", de Sophia de Mello Breyner Andresen , uma das principais vozes da poesia portuguesa, que integra a lista de leituras da Fuvest para o vestibular 2027.

"Altas marés no tumulto me ressoam E paredes de silêncio me reflectem" – trecho do livro "Geografia".

Nascida em uma família abastada, em 1919, Sophia de Mello Breyner Andresen foi uma escritora cosmopolita e viajante. Teve acesso a uma formação cultural erudita, incomum para a época, com oportunidades de estudar diferentes línguas. Sua trajetória é marcada pela relação entre literatura , natureza e lugares, elementos que atravessam sua produção poética.

Casas, jardins e o mar, presentes desde sua infância, se tornaram referências recorrentes em suas obras, assumindo dimensões que ultrapassam a simples descrição dos espaços. Também reconhecida por ensaios, contos e narrativas destinadas ao público infantil, sua escrita é pautada pela clareza e liberdade de expressão.

"Sophia é uma poeta que deveria ser lida por qualquer pessoa que queira buscar entender melhor a si. As tensões do eu, do indivíduo que sente, que se alegra, que chora, que sofre e que está perdido em uma civilização caótica", comenta Luiz Rogério Camargo, professor de literaturas de língua portuguesa na UFFS ( Universidade Federal da Fronteira Sul).

Para além da literatura, atuou contra o regime salazarista e foi eleita deputada à Assembleia Constituinte, em 1975, após a Revolução dos Cravos . Foi casada com Francisco Sousa Tavares, com quem teve cinco filhos. Recebeu importantes distinções, entre elas o Prémio Camões, em 1999, e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana, em 2003. Morreu aos 84 anos, em 2004, em Lisboa.

Lançada originalmente em 1967, a obra trabalha tensões entre liberdade, justiça e opressão. É um livro de maturidade da autora, em que estabelece uma relação com a tradição clássica (grega) e com a modernidade poética.

Utilizando-se de formas, mitos e imagens, Sophia pensava as crises do seu presente. Sua linguagem límpida, musical e aparentemente simples convive com métrica, rima e formas regulares, sem que isso impeça a experimentação. A dualidade também faz parte de sua poética.

Os lugares na obra não funcionam apenas como pontos de um mapa, mas como espaços para a compreensão de identidade e vivências. O mar, por exemplo, é sereno e, também, tem força de desordem.

A narrativa explora paisagens interiores e memórias coletivas, e não uma geografia propriamente cartográfica. Ou seja, os lugares concretos são trabalhados como espaços simbólicos. "Na visão dela, a modernidade é um lugar de um reino perdido", explica Camargo.

Ao entrar em contato com os espaços que formaram Sophia, o leitor acaba investigando também os lugares que o formaram, sejam línguas, tradições, mitos, histórias e vozes.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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