O risco das 24 horas
O sistema financeiro está cada vez mais incorporando a tecnologia blockchain.
Stablecoins já facilitam pagamentos e transferências, enquanto a tokenização amplia o acesso a ativos como ações.
É uma transformação que combina velocidade, segurança e eficiência e deve mudar a forma como usamos o dinheiro e os serviços financeiros.
E os brasileiros estão de olho nessa tendência.
Segundo a 2ª Pesquisa Nacional de Criptomoedas de 2026, quase 29 milhões de brasileiros já investiram ou investem em criptoativos, enquanto 66,4% da população afirma conhecer criptomoedas, um avanço de 10,1 pontos percentuais em relação a 2025.
O estudo também destaca que os ativos digitais estão alcançando um público mais amplo e cada vez menos restrito às elites: 77,6% dos brasileiros que já investiram em criptoativos têm renda de até três salários mínimos.
Esse crescimento é resultado da combinação entre inovação, empreendedorismo, demanda dos consumidores e evolução regulatória.
À medida que o conhecimento sobre esses ativos aumenta, o país tem uma oportunidade concreta de avançar na transformação do sistema financeiro, e a blockchain tende a fazer parte cada vez mais do cotidiano dos brasileiros.
É justamente nesse momento de expansão que a proposta do Banco Central para que todos os prestadores de serviços de ativos virtuais (VASPs), como corretoras de criptomoedas, adotem uma retenção preventiva de até 24 horas para transferências superiores a US$ 10 mil destinadas a carteiras de autocustódia ou ao exterior, merece atenção.
Essa regra pode reduzir a competitividade das instituições brasileiras e limitar o acesso dos investidores às oportunidades oferecidas pela tecnologia blockchain.
O objetivo de reduzir riscos e combater fraudes é legítimo e deve ser apoiado.
O problema está na forma proposta.
Uma transação de US$ 10 mil não se torna suspeita apenas por ultrapassar esse valor.
Uma retenção automática pode substituir uma análise baseada em perfil, histórico e comportamento por uma presunção genérica de risco.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em valorinveste.globo.com — o conteúdo pertence a Valor Investe.