Consórcio Guaicurus acusa intervenção de atrasar dívidas e pôr frota "em risco”
O Consórcio Guaicurus acusou a equipe que administra o transporte coletivo de Campo Grande de atrasar pagamentos e escolher arbitrariamente quais dívidas quitar.
O interventor geral, Alexandro de Oliveira, confirmou que parcelas de leasing e de financiamentos dos ônibus foram suspensas, mas afirmou que a decisão representa um “risco calculado” para preservar recursos destinados à folha de pagamento, combustível e peças.
A disputa ocorre no momento em que a intervenção completa 90 dias.
Em petição protocolada na sexta-feira (11) junto à Comissão Processante da Prefeitura, a concessionária cobra a apresentação do plano de trabalho e a prestação de contas detalhada dos atos praticados pela administração temporária.
Segundo nota divulgada nesta segunda-feira (14), a intervenção estaria “escolhendo arbitrariamente dívidas para serem quitadas em detrimento de outras obrigações essenciais”, entre elas o financiamento da frota, o combustível e os tributos incidentes sobre a folha.
O consórcio afirma que também existem compromissos pendentes com bancos, fornecedores e prestadores de serviços.
Conforme o comunicado, essas empresas vêm notificando a concessionária sobre “atrasos recorrentes no decorrer do período interventivo”.
As empresas alertam que a inadimplência pode provocar a retomada de ônibus financiados, comprometer a regularidade fiscal das concessionárias e dificultar o recebimento de subsídios municipais e estaduais.
No entanto, o comunicado não apresenta o valor consolidado das obrigações que teriam deixado de ser pagas.
A reportagem questionou o consórcio sobre o montante total.
Uma das empresas que alega ter valores a receber é a GV Pneus, que prestava serviços de recapagem de pneus ao Consórcio Guaicurus.
Segundo Jefferson do Carmo de Queiroz, representante da empresa, os pagamentos estão suspensos desde o começo da intervenção e a dívida chegou a R$ 274.990,13.
“Estamos desde a intervenção sem receber os pagamentos.
Os interventores haviam nos prometido que continuariam nos pagando e não honraram o que falaram”, relatou Jefferson.
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