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Motorista que atropelou crianças em ato pró-Flavio nega motivação política

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Motorista que atropelou crianças em ato pró-Flavio nega motivação política

O motorista Cardjon Peixoto, de 56 anos, preso após atropelar duas crianças em uma carreata de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, em Ilhabela (SP), nega ter agido por motivação política.

Peixoto, de acordo com o boletim de ocorrência, avançou abruptamente sobre uma ciclovia, atingindo duas crianças, uma garota de 9 anos e um menino de 6 anos. A garota sofreu fratura no pé direito e precisou ser operada. O menino teve um pequena luxação.

À Justiça, ele afirmou que tinha ido buscar um colega, mas que o trânsito estava parado por conta da manifestação política. Ele disse ter sido "erroneamente confundido por populares como se fosse um militante" do PT, e que passou a ser "hostilizado, ameaçado e cercado".

A advogada Fabiane Vilela, que o representa, disse que, "diante do cenário de pânico e estresse gerado pela hostilidade dos manifestantes", Peixoto tentou manobrar o veículo e "confundiu" os pedais do freio e do acelerador.

"Ele não possui vinculação com a manifestação, tampouco direcionou voluntariamente o automóvel contra qualquer pessoa", afirmou a advogada na defesa apresentada no processo.

"A aceleração indevida decorreu de pânico e erro escusável na operação dos pedais de veículo automático no momento em que passava a ser hostilizado por ser erroneamente associado ao espectro político oposto."

Peixoto é motorista profissional, trabalha como caminhoneiro. As fotos anexadas ao processo mostram dois adesivos da campanha de Lula no carro que ele dirigia.

Os policiais que registraram a ocorrência disseram que Peixoto apresentava sinais de embriaguez, mas se recusou a fazer teste de bafômetro. Uma lata de cerveja foi encontrada no veículo. Segundo eles, houve relatos de populares de que o atropelamento ocorreu após provocações relacionadas à disputa política

Ao ser interrogado pela polícia, ele disse que havia ingerido bebida no início da manhã, negando que estivesse consumindo álcool no momento dos fatos. O episódio ocorreu por volta das 16 horas.

O motorista afirmou que tentou prestar socorro às vítimas, mas que foi cercado e agredido por manifestantes.

"A conduta extrapola a ordinária imprudência de trânsito, envolvendo a utilização de automóvel como instrumento lesivo voltado contra a calçada e concentração popular de pessoas em contexto de intolerância, culminando em fuga obstada unicamente por terceiros", afirmou na decisão.

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