É possível vivermos em um Brasil sem a Meta?
O relacionamento Brasil x Meta é puro lock-in: o aprisionamento tecnológico que muitas empresas do setor usam para dificultar a troca da ferramenta. Você até pode querer sair, mas o custo de sair, o trabalho, a perda de contatos, histórico e de alcance é alto demais. Daí você fica.
E agora, passada a eleição que reelegeu o presidente Lula, veio a parte curiosa. Durante a campanha, a Meta foi acusada "repetida e sistematicamente" de prejudicar o petista: restrições de impulsionamento, contas sumindo das buscas... A sensação de alcance desigual.
Houve protesto em frente à sede da empresa em São Paulo, carta de parlamentares americanos liderados por Bernie Sanders e críticas da ONU. Lula prometeu "derrotar o império digital", que engloba as big techs e uma cartilha de dominação política orquestrada por Donald Trump.
Cumpriu, mas agora as batalhas saem dos holofotes e voltam para um campo onde sempre esteve: no nosso bolso. A pergunta até este final de semana era se a Meta interferiu nas eleições brasileiras. A que fica agora é se é possível viver sem o ecossistema da empresa.
O debate sobre a regulação das big techs nunca foi tão urgente, e nunca tão difícil, pois vivemos um momento em que os donos dessas empresas sentam na mesa com Trump e assumem, abertamente, que vão peitar os países que, na visão delas, "não têm liberdade de expressão".
Foi o próprio Zuckerberg quem, em janeiro de 2025, ao anunciar o fim da checagem de fatos no Facebook, acusou países latino-americanos de terem 'tribunais secretos; que mandam derrubar publicações 'silenciosamente"' No Brasil, a fala soou como um recado indireto ao STF.
Vale lembrar que a dobradinha Meta mais interferência eleitoral não é novidade. Em 2018, explodiu o escândalo da Cambridge Analytica, quando dados de até 87 milhões de usuários do Facebook foram coletados indevidamente para mirar propaganda política.
A empresa havia sido contratada pela campanha de Trump para sua primeira eleição presidencial EUA, e também pelo grupo que promovia o Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia). Ambos venceram. A Cambridge Analytica faliu, enquanto o Facebook fez o rebranding para a Meta e pagou uma série de multas: US$5 bilhões da FTC em 2019 e US$725 milhões num acordo de 2022. Depois, cerca de US$17 bilhões num acordo sobre segurança infantil em agosto de 2026. Recentemente recebeu uma condenação de US$25 bilhões no estado americano do Novo México.
Parece dinheiro do fim do mundo, mas a Meta vale hoje perto de US$2 trilhões. Os US$25 bilhões equivalem a pouco mais de 1% disso. É como aplicar uma multa de R$ 125 para alguém que tem salário de R$10 mil. Deixa de ser punição e vira pedágio: um custo operacional já embutido no orçamento de quem calculou o preço de errar.
No Brasil, deixamos que a Meta se tornasse a infraestrutura padrão de tudo, da conversa com a avó ao faturamento do salão de beleza.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.