'Não é golpe nem tigrinho': empresa defende app de de treinamento de IA
Com mais de 1 milhão de pessoas cadastradas, a Hub aposta no Brasil para coletar vídeos do cotidiano usados no treinamento de robôs humanoides, uma área que a empresa considera estratégica para o futuro da inteligência artificial.
Segundo a empresa, a operação coleta vídeos do cotidiano para ajudar a suprir uma escassez de dados usados no treinamento de robôs humanoides . Sérgio Lourenço, CMO (chefe de marketing) da Hub, explicou em conversa com Tilt que, diferentemente dos modelos de texto alimentados com o conteúdo disponibilizado na internet, os robôs exigem gravações sob a perspectiva do olho humano em ações do dia a dia.
Um dos desafios da indústria é ensinar robôs a executarem tarefas em ambientes imprevisíveis, como casas reais. Por isso, os vídeos captados pelos participantes mostram ações cotidianas sob a perspectiva de quem realiza a atividade, incluindo informações de profundidade registradas pelos sensores dos celulares.
O Brasil foi escolhido por ter grande dimensão territorial e características culturais e domésticas mais próximas dos mercados onde os robôs deverão operar . Segundo Lourenço, ambientes domésticos brasileiros e americanos oferecem características próximas às encontradas em mercados considerados prioritários pela indústria, como Estados Unidos, Canadá e países europeus.
Os países do Sudeste Asiático [como Índia e Filipinas, por exemplo] são muito experientes em coleta de dados, mas para a robótica precisamos de ambientes domésticos e urbanos variados. As gravações feitas no Brasil e nos EUA expõem os robôs a ambientes muito próximos do seu uso final. Por isso, viemos com força para o mercado brasileiro. Sérgio Lourenço, CMO da Hub
A coleta é feita por usuários com um suporte de celular na cabeça e aplicativo dedicado . Além do vídeo das tarefas cotidianas, os celulares captam e sincronizam dados de profundidade do sensor Lidar (uma espécie de "radar de profundidade") em tempo real.
A Flambra é o braço operacional da Hub . Na maior parte dos projetos, a coleta é feita por meio do aplicativo Minute Data. Os vídeos são enviados para os clientes, passam por um processo de revisão e anotação técnica. No fim, quando o conteúdo é aprovado, o pagamento é disparado para quem fez a captação. Questionada, a empresa não revela quem são seus clientes —a companhia afirma trabalhar com laboratórios de IA e fabricantes de robôs humanoides.
A plataforma diz reunir mais de 1 milhão de pessoas cadastradas no país com pagamentos por tarefas aprovadas . "Não se trata de 'jogo do tigrinho' ou golpe; é uma indústria real, de alta tecnologia, que está oferecendo uma alternativa de renda honesta e útil diretamente de dentro de casa", afirma o executivo, citando casos específicos em que usuários que chegam a faturar R$ 17 mil por semana com a indicação de novas pessoas. Apesar do número de usuários, a empresa não cita quantos são ativos; comenta apenas que a "grande maioria" grava tarefas.
Não estamos no país apenas para coletar dados, lucrar e ir embora. Temos uma visão profunda de responsabilidade social.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.