MP quer saber como atua Conselho de Saúde da Capital
O promotor de Justiça Fábio Ianni Goldfinger decidiu abrir um procedimento para investigar como segue a atuação do Conselho Municipal de Saúde no acompanhamento da rotina dos serviços de saúde pública em Campo Grande.
O membro do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) quer saber se os conselheiros apresentaram propostas para aperfeiçoar a organização e funcionamento do Sistema Único de Saúde na Capital.
O procedimento ainda não está acessível, exigindo senha para consulta, mas a reportagem apurou que ele pretende obter informações sobre a composição do conselho, que tem usuários, servidores e o poder público, em uma composição paritária, a estrutura de funcionamento e até os temas debatidos desde o ano passado, o que pode ser conferido por meio das atas das reuniões.
O promotor pretende também apurar como é a relação com a Administração Municipal.
No começo do ano, membros do Conselho foram uma das principais vozes contra uma iniciativa de repassar à gestão privada os centros de saúde do Tiradentes e o do Aero Rancho, os dois maiores da cidade, dentro de um projeto piloto.
Diante da repercussão negativa, a ideia acabou sendo deixada de lado.
Não é a primeira iniciativa recente da MPMS, que já mantém vários inquéritos para verificar a oferta de atendimentos em vários setores da saúde pública, alguns casos até judicializados, por meio de ações civis públicas cobrando das secretárias de Saúde da Capital e do Estado a elaboração de planos de regularização dos serviços.
Um exemplo emblemático é o contrato com a Santa Casa de Campo Grande, principal hospital conveniado ao SUS e responsável por uma série de especialidades complexas, como neurologia e cardiologia, nas áreas adulta e pediátrica.
A ortopedia também é um serviço relevante do hospital, mas, aos poucos, a gestão do SUS acabou distribuindo pacientes para outros hospitais da cidade, como o Pênfigo e o Hospital Universitário, para reduzir a dependência.
Foi em uma ação civil pública do MPMS que a Justiça determinou que as duas esferas apresentem uma solução para a contratualização do hospital.
Diante da complexidade do tema, a Justiça classificou o processo como estrutural, envolvendo mais de um juiz e com o foco em buscar uma solução ampliada e não pontual para a crise envolvendo a unidade hospitalar.
Ainda relacionada à qualidade do SUS, em maio o promotor Marcos Roberto Dietz instaurou procedimento administrativo para acompanhar e fiscalizar a gestão financeira do FMS (Fundo Municipal de Saúde) de Campo Grande ao longo de 2026, após empresas prestadoras de serviço e fornecedores relatarem atraso em pagamentos.
Ele solicitou também informações dos dois anos anteriores.
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