Ações da Alphabet despencam, com problemas na área de buscas levando à decepção
28 Out (Reuters) – A Alphabet , controladora do Google, divulgou resultados decepcionantes em seu principal negócio, a publicidade em buscas, e uma aceleração maciça no consumo de caixa, à medida que injetava recursos no desenvolvimento de IA.
Em um sinal de que os clientes corporativos estão adotando a tecnologia, as receitas do Google Cloud mais que dobraram, mas os investidores, inquietos com o altíssimo custo e com a desaceleração do crescimento do mecanismo de busca dominante no mercado, fizeram com que as ações caíssem 10% após o fechamento do mercado.
“Em um mercado preocupado com a possibilidade de a IA canibalizar o negócio principal, os investidores precisam ver a busca acelerando, não desacelerando”, disse Dave Wagner, gestor de portfólio da Aptus Capital Advisors.
“A nuvem está impulsionando os resultados, mas, até que a busca mostre que a IA é um valor agregado, as ações provavelmente continuarão sendo negociadas em baixa.” A empresa de Mountain View, na Califórnia, registrou um fluxo de caixa livre negativo de US$9,1 bilhões, contra as expectativas dos analistas de que ficaria próximo do ponto de equilíbrio, segundo dados da LSEG.
Esforços agressivos para aumentar a capacidade da nuvem e financiar o desenvolvimento de IA levaram a Alphabet a queimar US$5,9 bilhões no último trimestre, a primeira vez que o resultado ficou negativo em 22 anos como empresa de capital aberto.
A receita total ficou aquém das expectativas de Wall Street: o crescimento da receita do Google Cloud superou as expectativas, mas não foi suficiente para compensar uma queda de US$1,4 bilhão na publicidade.
O segundo trimestre consecutivo de fluxo de caixa negativo da Alphabet representou uma reviravolta brusca para uma empresa que há muito tempo era uma das maiores geradoras de caixa do setor de tecnologia.
Além disso, a Alphabet ainda planeja aumentar significativamente seus gastos de capital para 2027, em comparação com as previsões de gastos deste ano, que variam entre US$195 bilhões e US$205 bilhões, disse a diretora financeira Anat Ashkenazi aos analistas em uma teleconferência.
Embora os executivos não tenham especificado um valor para os gastos de 2027, os investidores estavam apreensivos com a possibilidade de um grande salto.
O lucro líquido disponível para os acionistas ordinários da Alphabet caiu 25%, para US$26,17 bilhões, e o lucro ajustado por ação, de US$2,67, ficou abaixo das estimativas de Wall Street, que eram de US$3,02.
Os resultados refletem os enormes custos da expansão da IA, com os investidores preocupados tanto com um possível gasto excessivo quanto com o risco de ficar para trás dos concorrentes por não investir o suficiente.
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