Este filme já passou e no fim o bandido morre. Mas se não morrer?
Saudades de quando Flávio Bolsonaro ensaiava, meio sem jeito, dancinhas despojadas de graça e se apresentava como a versão moderada do pai — aquela tão desejada pelo Brasil, segundo ele.
Agora, Flávio desfila pelos palcos do país como uma cópia quase perfeita do pai, condenado a 23 anos e sete meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
É uma cópia quase perfeita porque o pai tem carisma e ele não, além de o pai ser muito mais inteligente do que o filho.
O escândalo do Banco Master começou a derrubar a farsa do Flávio bonzinho, educado e conciliador.
Uma vez que fracassou na tarefa de atrair o apoio de outros partidos ao seu nome, restou-lhe se conformar com o que de fato é: aliado de milicianos, adepto de práticas heterodoxas no manuseio do dinheiro público, capaz de prestar vassalagem a presidentes estrangeiros e de negociar os interesses nacionais, se preciso for, para se eleger.
Com isso, está de volta o Flávio defensor da retirada de circulação, “em pé ou deitado”, de bandidos, “porque quem tem de andar nas ruas é a população”.
Está de volta o Flávio que também promete aprovar no Congresso a castração química para estupradores de crianças e mulheres.
“Não gostou? Vote em defensor de bandido”, ele sugere.
Está de volta o Flávio que ataca a segurança das urnas eletrônicas e se propõe a reformar, ao seu gosto, o Poder Judiciário.
Esse filme já passou, e no fim o bandido morre.
Mas isso foi no tempo em que o espectador sabia distinguir com clareza entre bandido e mocinho.
Na era da busca incessante por justiceiros, o bandido pode parecer mais eficaz do que o mocinho de bons modos.
Os ritos da democracia costumam ser mais lentos do que os da ditadura, e os golpistas se aproveitam disso para alcançar seus objetivos.
Espantoso é que o façam em nome da democracia e da liberdade de expressão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.metropoles.com — o conteúdo pertence a Metrópoles.