Reeleito com 71%, Fonteles teria que renunciar como governador para ser ministro
O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), reeleito com 71% dos votos no primeiro turno e cotado internamente por integrantes da campanha vitoriosa de Lula para o Ministério da Fazenda, precisaria renunciar ao cargo estadual para aceitar um eventual convite para a pasta federal.
Se aceitasse um eventual convite, Fonteles teria de abrir mão do governo do Piauí para virar ministro. A Constituição Federal determina, no artigo 28, parágrafo 1º, que o governador perde o mandato se assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou indireta — e as exceções previstas não incluem o cargo de ministro de Estado.
Na prática, a troca tem efeito definitivo e muda o comando no estado. Ao renunciar, o governador deixa o cargo em definitivo, o vice-governador assume o governo e, se o ministro sair da pasta federal depois, não pode retomar o mandato que deixou no estado.
Fonteles disse que não pensa em deixar o mandato para assumir a Fazenda. Ele afirmou que se aproximou de Lula no segundo turno, mas que "nem passa pela minha cabeça" abandonar o governo do Piauí para ir ao ministério.
Rafael Fonteles negou que tenha conversado com Lula sobre um cargo no governo federal. "Qualquer menção positiva ao nosso nome, a gente agradece, mas eu nunca tratei com o presidente da república sobre qualquer cargo, um eventual mandato dele, antes da eleição ou depois da eleição", disse o governador hoje.
Mesmo com a negativa, Fonteles tem sido cotado internamente por aliados do PT para comandar a Fazenda. O governador, recém-reeleito, disse que espera ser diplomado e tomar posse em janeiro no cargo para o qual foi eleito, e comentou que tem um exemplar do livro "O pior emprego do mundo", de Thomas Traumann, sobre a rotina de um ministro da Fazenda.
Fonteles disse que vê com naturalidade a reação do mercado financeiro após a vitória de Lula. O governador afirmou que investidores seguiram as pesquisas e "precificaram" uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), e que é preciso esperar alguns dias para entender o efeito do movimento na economia real.
O governador também disse que Lula vai acalmar os mercados com uma política fiscal responsável. "O presidente Lula tem responsabilidade, sim, com as contas públicas. Eu tenho certeza que isso vai acalmar os mercados muito em breve", declarou.
* Com informações de reportagens publicadas em 26/10/2026 e 26/10/2026 .
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