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Lula precisa ampliar recursos da saúde e dar transparência à fila do SUS, diz sanitarista

UOL Notícias ·
Lula precisa ampliar recursos da saúde e dar transparência à fila do SUS, diz sanitarista

Ampliar o financiamento da saúde e dar transparência às filas de espera do SUS precisam ser ações prioritárias do próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu o médico sanitarista Walter Cintra Ferreira, professor de políticas e gestão de saúde da FGV. Ele foi um dos especialistas que participou de uma live promovida pelo Estadão nesta segunda-feira, 26, para debater os rumos do País em diferentes áreas após a vitória de Lula nas eleições de domingo, 25.

O atendimento especializado no SUS, embora tenha crescido com o programa Agora Tem Especialistas, ainda precisa ser ampliado e aprimorado, na visão do sanitarista. Para isso, ele diz ser fundamental conhecermos o tamanho real da fila nacional. Embora a gestão atual tenha prometido unificar as demandas hoje espalhadas entre hospitais, municípios e secretarias da saúde, isso ainda não foi apresentado.

"A fila precisa ter transparência. O cidadão brasileiro tem o direito de saber em que lugar ele está na fila para fazer um procedimento especializado. Se não houver essa transparência, se a gente não entender qual é o problema, a gente não vai conseguir entender a solução", afirmou.

O médico citou o programa brasileiro de transplantes como referência de organização e transparência que deveria ser estendida aos demais procedimentos.

Para Ferreira, é necessário garantir, além do aumento da oferta de consultas, exames e cirurgias, o acompanhamento continuado do paciente. "Não basta a pessoa ser atendida, ela tem que ser atendida no momento certo, para se beneficiar daquele melhor momento para o seu tratamento."

Nesse sentido, ele diz que um dos desafios do próximo governo será fazer com que municípios, Estados e União atuem de forma coordenada. Na avaliação do sanitarista, a dimensão territorial do Brasil e as diferenças entre municípios tornam essa organização complexa. Os Estados, afirmou, precisam assumir um papel importante na estruturação de redes regionais e na ligação entre a atenção básica e os serviços especializados.

"Não adianta o governo federal dizer que vai pagar mais por exames que levam a um diagnóstico mais precoce se o governo estadual e o governo municipal não arregaçarem as mangas e, de fato, aderirem a esse programa."

Essa integração também depende de profissionais qualificados para administrar os serviços, uma carência que o médico apontou como obstáculo à eficiência. "Hoje, um dos grandes problemas dos serviços públicos brasileiros, e também na saúde em particular, é a falta de gente qualificada, inclusive para fazer a gestão da saúde."

Na visão de Ferreira, a saúde deve ser poupada de eventuais cortes federais diante da necessidade de um ajuste fiscal. Para ele, o argumento se justifica pelo fato de a saúde brasileira já ser subfinanciada em comparação com outros países com sistemas universais.

"Se a gente comparar com os países da OCDE que gastam, em termos de porcentual do PIB, alguma coisa parecida (com o que é gasto no Brasil), a maior parte do recurso (desses países) vai para o sistema público de saúde. Aqui no Brasil, o sistema público fica com um pouco mais de 40% e a medicina privada fica com o restante.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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