Cirurgia robótica conecta Chile e Goiás em procedimento realizado a 3 mil km de distância
A realização de uma prostatectomia radical por um cirurgião em Santiago, no Chile, com o paciente a aproximadamente três mil quilômetros de distância, no Hospital do Rim, em Goiânia, marcou a primeira telecirurgia internacional a conectar o Chile ao estado de Goiás.
O procedimento foi executado com o sistema robótico Toumai , distribuído no Brasil exclusivamente pela Hospcom , em parceria com a Microport.
O feito envolveu uma estrutura tecnológica elaborada para garantir que os comandos do cirurgião chegassem ao robô sem interrupções.
A operação dependeu de duas conexões independentes de fibra óptica, redundância em rede 5G e uma rede privada virtual (VPN) dedicada.
De acordo com a Toumai, o parâmetro crítico foi a latência, que precisou se manter abaixo de 200 milissegundos durante todo o procedimento, limite internacionalmente aceito para que a resposta entre o movimento do cirurgião e a ação do robô seja considerada praticamente instantânea.
Leia mais: “Segurança digital falha ao culpar o usuário”, diz Radia Perlman na Febraban Tech O gerente nacional de educação em cirurgia robótica da Hospcom, Eder Mattos , explica que o maior obstáculo para a telecirurgia não está na técnica cirúrgica.
Os desafios, segundo ele, estão na robustez da infraestrutura tecnológica dos dois locais que estabelecem a conectividade com o robô.
“A telecirurgia não substitui o cirurgião; ela amplia sua capacidade de atuação.
A tecnologia permite levar conhecimento, experiência e excelência cirúrgica a qualquer lugar do mundo.
O maior desafio da atualidade já não é comprovar sua viabilidade técnica, mas criar condições para expandi-la com segurança, sustentabilidade econômica e respaldo regulatório”, afirma Mattos.
Marcos do procedimento em Goiás O procedimento acumula três primeiras vezes simultâneas: é a primeira telecirurgia a conectar Goiás ao Chile; a primeira prostatectomia realizada por telecirurgia no estado; e a primeira telecirurgia conduzida pelo Hospital do Rim.
Para os pacientes, os benefícios do sistema incluem incisões menores, menor perda sanguínea e recuperação mais rápida, além de redução do tempo de internação e do risco de infecção.
Para Mattos, o impacto vai além do caso individual.
“Os benefícios vão muito além da tecnologia.
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