Mortes: Dizia-se 'artivista' na defesa da cultura e do meio ambiente
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Uma área verde com cerca de 35.400 m 2 na região do Butantã, em São Paulo , abriga três nascentes de água. Há mais de duas décadas, os moradores do Morro do Querosene lutam para que seja instalado o parque da Fonte . Cecília Pellegrini, que se declarava "artivista", foi uma das principais lideranças para protegê-lo.
O terreno foi tombado pelo Conpresp (patrimônio histórico municipal) em 2012, que apontou a fonte como elemento a ser preservado. Cecília foi um dos que se dedicaram a pesquisar a história da bica construída no século 18. Explicava que era utilizada por tropeiros e bandeirantes que faziam rotas pelo estado. Também falava sobre o Caminho do Peabiru , que passava pela área ao cruzar o continente.
Além da defesa do meio ambiente , em uma área da capital paulista ameaçada pela especulação imobiliária, também ficou reconhecida por ser uma articuladora cultural. Esteve à frente da associação cultural da comunidade, valorizou culturas populares como o bumba meu boi e contribuiu com a Orquestra de Berimbaus .
A paulistana, filha de uma devota que a batizou em homenagem a Santa Cecília, nasceu em 28 de agosto de 1949, mas foi registrada no dia 27. Então, dizia ter dois dias de aniversário.
Cresceu na região da Barra Funda e estudou na Escola de Aplicação. Cursou engenharia eletrônica na USP (Universidade de São Paulo) , mas desde cedo sabia que a cultura era sua paixão. Tinha aprendido a cantar e tocar piano ainda moça.
Sua carreira foi como analista de sistemas, função que desempenhou antes mesmo de os computadores serem popularizados. Foi servidora da estatal Prodesp (Companhia de Processamento de Dados de São Paulo).
Dividiu a vida com o músico Dinho Nascimento, baiano hoje com 75 anos que conheceu em rodas de capoeira na década de 1970.
"Ela sempre teve isso de quebrar essas arestas, esses cercos. Na engenharia, na cultura e também partindo para essa causa ambiental, de ativismo muito pujante", diz o marido.
Foi uma história de quase 50 anos no Morro do Querosene e quatro filhos criados. Inclusive, alguns partos em casa com parteiras, como era seu desejo.
A casa era também um grande sonho planejado em detalhes pelo casal, que foi morar com ela ainda em construção. Dinho diz que tem a mão da esposa da porta até os fundos.
Ela gostava muito de cozinhar e da matemática, era dos cálculos e dos temperos. Ia à feira livre fazer compras para depois preparar as refeições. Também tinha afeto pelo quintal, onde cuidava das plantas.
Maria Cecília Pellegrini Goes era sobrevivente de um câncer de mama tratado há dez anos. Mas, após uma queda meses atrás, quebrou a clavícula e ficou com a saúde debilitada. Teve anemia e pneumonia.
Morreu no dia 12 de julho, aos 76 anos, vítima de outro câncer . Ela deixa o marido e os 4 filhos: Alua, 48, Gabriel, 46, João Vitor, 44, e Ana Tainá, 39. Também ficam 5 netos.
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