C6 Bank tem lucro de R$ 1,25 bilhão no 1º semestre, alta de 20%
O C6 Bank reportou nesta terça-feira lucro líquido de R$ 1,257 bilhão no primeiro semestre de 2026, alta de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, com receita recorde e expansão robusta na carteira de crédito, mas também aumento de inadimplência e piora na rentabilidade.
A carteira de crédito expandida do banco, que tem como sócio o norte-americano JPMorgan Chase, somou R$ 99,8 bilhões, aumento de 38% ano a ano e 12% ante o final de 2025, com os empréstimos consignados — públicos e privados — respondendo por 45% do portfólio atual, enquanto a parcela de financiamento de veículos alcançou 30% e a fatia de pessoa física atingiu 13%.
O índice de inadimplência ficou em 3,6%, de 3,2% um ano antes e 2,9% no final de dezembro. Excluindo o impacto da Resolução CMN 4.966, que atualizou as regras contábeis para bancos, esse índice teria alcançado 2,6%, de 2,1% no mesmo intervalo de 2025 e 2% no final do ano passado. Segundo a instituição, o aumento ocorreu em razão principalmente do crescimento da carteira de crédito de consignado privado.
A expansão nessa linha de empréstimos também influenciou as provisões, que alcançaram R$ 2,372 bilhões na primeira metade do ano. Um ano antes, essa métrica mostrava R$ 996 milhões. No segundo semestre de 2025, registrava R$ 1,521 bilhão.
Segundo o presidente-executivo do C6, Marcelo Kalim, o aumento na inadimplência ficou um pouco acima do que o banco esperava no começo do ano.
"O primeiro semestre foi realmente mais desafiador em basicamente todas as linhas de pessoa física e também na linha de pessoa jurídica", afirmou o executivo à Reuters, ressaltando que o banco observou um arrefecimento nos últimos meses.
"Em junho, julho e já em agosto nós estamos vendo uma melhora nesses indicadores (de inadimplência). Ainda estão em um patamar acima de 2025, mas mais em linha com o que o banco esperava que fosse", ressaltou.
Ainda assim, Kalim reforçou que a instituição permanece com uma política de crédito conservadora. "Não dá para ficar otimista ainda, pelo contrário. O cenário é bastante desafiador. A renda das famílias está bastante comprometida. Empresas, nem se fala... os juros estão realmente muito altos."
Conforme o executivo, a inadimplência um pouco maior também respingou no retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), que recuou a 38% na primeira metade do ano, de 43% um ano antes e 51% no segundo semestre de 2025. "Foi um pouquinho abaixo do que gostaríamos... Mas ainda estamos bastante convencidos, não só pra esse ano, mas como para os próximos anos, de ter um ROE acima de 40%."
Mesmo com o tom cauteloso, a instituição registrou receita líquida recorde de R$ 6,268 bilhões de janeiro a junho, aumento de 47,9% em relação ao mesmo intervalo do ano passado, enquanto a linha de despesas operacionais passou a R$ 2,611 bilhões, incremento de 32,6%.
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