O voto ainda está em aberto (por Gaudêncio Torquato)
A nova pesquisa Quaest oferece dois retratos aparentemente contraditórios da sucessão presidencial.
No primeiro, o cenário parece relativamente consolidado: Lula alcança 38% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro chega a 31%.
Os demais candidatos aparecem muito distantes.
No segundo retrato, porém, a eleição revela uma fluidez que não pode ser desprezada: na pesquisa espontânea, 51% dos eleitores não conseguem citar o nome de seu candidato.
Lula é lembrado por 25% e Flávio, por 19%.
Ou seja, quando a lista não é apresentada pelo entrevistador, mais da metade do eleitorado ainda não manifesta uma escolha.
Essa diferença entre a pesquisa estimulada e a espontânea é decisiva para a interpretação do momento.
Na estimulada, o eleitor recebe uma relação de nomes e escolhe entre as alternativas disponíveis.
Na espontânea, responde sem qualquer auxílio.
Por isso, a primeira mede a preferência diante de uma oferta conhecida; a segunda indica o grau de sedimentação da candidatura na memória e na consciência do eleitor.
Os 51% que não mencionam um candidato não constituem necessariamente um bloco homogêneo de indecisos, mas demonstram que o voto ainda não se cristalizou para grande parte da população.
Faltam pouco mais de sete semanas para o primeiro turno de 4 de outubro.
É tempo suficiente para mudanças relevantes.
A campanha oficial começa, os candidatos passam a ocupar com maior intensidade o rádio, a televisão, as redes sociais e as ruas, e o eleitor começa a prestar atenção numa disputa que, até agora, acompanhava a distância.
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