Após dez anos, júri decide que cabeleireira não matou o marido
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Três tiros, duas versões e uma pergunta que ficou sem resposta por quase dez anos: homicídio ou suicídio? A controvérsia em torno da morte do policial militar Alan Damasceno Castro , aos 27 anos, chegou ao fim com a absolvição da mulher dele, a cabeleireira Ranielly Antunes Castro.
Acusada de matar o marido durante uma discussão, Ranielly, 36, sempre negou o crime. Disse que Alan atirou contra si mesmo e que o que ocorreu foi uma tragédia. A perícia, porém, nunca conseguiu determinar de forma definitiva qual das duas versões era verdadeira. O laudo apontou que as duas hipóteses, homicídio ou suicídio, eram compatíveis com as provas colhidas durante a investigação.
A morte ocorreu por volta das 23h de 25 de outubro de 2016 em Osasco , na Grande São Paulo. Alan havia acabado de chegar em casa, ainda fardado, quando começou uma discussão com Ranielly. Segundo a cabeleireira, o policial a acusava de traição, o que ela negava.
Em algum momento, Alan foi atingido por três tiros disparados pela sua própria arma, uma pistola semiautomática calibre .40. Morreu a caminho do hospital, em decorrência de uma hemorragia interna.
Ao denunciar a cabeleireira, o Ministério Público sustentou que Ranielly, inconformada com as acusações de traição, teria pegado a arma do policial e efetuado os três disparos antes que ele tivesse chance de perceber o que estava acontecendo.
"Ranielly matou Alan por não aceitar que ele questionasse sua fidelidade", afirmou o promotor Marco Antonio de Souza na denúncia apresentada em 2023.
O primeiro tiro atingiu a parte frontal do pescoço, abaixo e atrás do queixo. Segundo a perícia, o disparo foi feito a alguns centímetros da pele, com a pistola levemente inclinada para a esquerda. O ferimento não provocou a morte imediata.
Os outros dois tiros atingiram a parte superior do tórax. Nesses casos, as características encontradas indicaram que o cano da arma estava encostado na pele.
Durante a discussão, dizem os advogados Fernando Pessoa Furegatti de Assis e Lindenberg Pessoa de Assis, Alan teria agredido Ranielly. Ela então ameaçou denunciá-lo à Corregedoria da Polícia Militar .
O policial teria ido até a cozinha, sacado a arma e disparado contra o próprio pescoço. Ferido, teria pedido à mulher que o matasse. Ranielly se recusou. Em vez disso, pegou a arma que estava no chão, colocou-a sobre uma mesa e saiu para pedir ajuda aos vizinhos.
A versão da defesa afirma que, antes que o socorro chegasse, Alan conseguiu se levantar, pegou novamente a pistola, retirou o colete à prova de balas e fez mais dois disparos contra o próprio tórax.
Um laudo assinado pelo perito criminal Sérgio de Paula Moura, em novembro de 2016, deu algum respaldo à primeira parte dessa narrativa. Na avaliação do perito, Alan havia feito o primeiro disparo contra si mesmo.
Para o perito, era improvável que o policial tivesse conseguido realizá-los sozinho. Seria necessário, segundo ele, "auxílio material direto para o posicionamento da pistola".
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.