Sabotagem e ciberataques: inteligência dinamarquesa faz alerta para ameaça da Rússia à Europa
O serviço de inteligência de defesa da Dinamarca divulgou nesta quinta-feira (24) uma avaliação de ameaças em que prevê uma escalada da guerra híbrida russa contra a Europa nos próximos meses.
Segundo o documento, Moscou estaria disposto a assumir riscos crescentes, recorrendo a sabotagens, operações cibernéticas destrutivas e incursões de drones contra infraestrutura considerada estratégica – táticas conhecidas como guerra híbrida.
O alerta chega logo depois da Alemanha responsabilizar formalmente a Rússia por uma tentativa de ataque com drone carregado de explosivos no aeroporto de Leipzig/Halle, no leste alemão, importante centro de carga aérea e base logística da Otan (a aliança militar do Ocidente), que abriga aviões de transporte que apoiam a Ucrânia.
O episódio reacendeu o temor de sabotagem em solo europeu e levou países da União Europeia a cobrar novas sanções contra Moscou, incluindo medidas contra a chamada “frota-sombra” de petroleiros usada para driblar restrições à energia russa.
Berlim classificou a ação como parte de uma guerra híbrida destinada a intimidar e dividir os países que se alinharam à Ucrânia desde a invasão de 2022.
O peso econômico desses ataques é um dos pontos centrais do alerta, porque interrupções em pontos críticos da infraestrutura tendem a se espalhar por cadeias logísticas, mercados de energia e serviços digitais.
No caso dos aeroportos, drones de baixo custo já impõem prejuízos desproporcionais: um levantamento do Centro Aeroespacial Alemão estimou que, em um único ano, 116 fechamentos totais ou parciais em 25 aeroportos custaram cerca de 60 milhões de euros ao setor, cifra que sobe para até 160 milhões de euros quando se somam atrasos, rotações desfeitas e voos cancelados.
Em Bruxelas, uma única noite de perturbações foi avaliada em torno de 2 milhões de euros.
O caso de Leipzig/Halle é especialmente sensível por ser um dos principais entroncamentos de carga aérea do continente, com efeitos sobre o comércio externo e as cadeias de suprimentos.
Continua após a publicidade Igualmente preocupantes são os danos à infraestrutura submarina, que sustenta boa parte da economia europeia.
Cabos de energia e de telecomunicações e gasodutos no mar Báltico já foram alvo de incidentes de sabotagem, muitos associados à frota-sombra russa.
O rompimento do interconector elétrico Estlink 2, em dezembro de 2024, cortou dois terços da capacidade de transmissão entre Estônia e Finlândia e exigiu sete meses de reparos, gerando pelo menos 60 milhões de euros só em despesas de conserto; a ruptura do gasoduto Balticconnector levou seis meses para ser corrigida.
Em um cenário mais extremo — como um ataque coordenado a ligações de gás e eletricidade no auge do inverno —, a Europa enfrentaria disparada de preços e disputa por suprimentos.
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