Aliados de Trump na América Latina vão classificar grupos criminosos como terroristas
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Enquanto o governo de Donald Trump tenta voltar sua atenção para o Hemisfério Ocidental após meses de guerra no Irã, autoridades de Washington buscam intensificar o combate aos cartéis latino-americanos com apoio de governos da região.
Na Assembleia Geral da ONU desta semana, autoridades do Departamento de Estado devem anunciar que 14 países da América Latina e do Caribe estão classificando 25 grupos criminosos como organizações terroristas, segundo autoridades americanas e latino-americanas. Os grupos já haviam sido classificados por Washington como organizações terroristas estrangeiras .
Segundo analistas, a medida ajuda a preparar o terreno para possíveis ataques militares contra grupos criminosos acusados de tráfico de drogas.
A declaração conjunta será anunciada à margem da Assembleia Geral, de acordo com duas autoridades americanas, que pediram para não ser identificadas porque não estavam autorizadas a falar publicamente.
O mecanismo formal para a designação é o Tratado do Rio, disseram as autoridades, um pacto de defesa firmado em 1947 entre mais de uma dezena de países do Hemisfério Ocidental, segundo o qual um ataque contra um de seus membros é considerado um ataque contra todos.
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A medida marcaria a primeira vez que um grupo de governos latino-americanos assina coletivamente, ao lado de Washington, uma ampla designação de terrorismo.
Os países que assinam a declaração, integrantes do Escudo das Américas, uma aliança de nações com governos conservadores criada pelo governo Trump, são Argentina , Bolívia, Colômbia , Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador , El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.
Peru e Paraguai confirmaram ter assinado a declaração conjunta. O Departamento de Estado e os governos dos demais países não responderam de imediato aos pedidos de comentário.
Ex-autoridades americanas e especialistas afirmaram que a medida poderia ter efeitos de grande alcance na região. "Eles estão fazendo isso na Assembleia Geral da ONU para tentar conferir legitimidade à iniciativa", disse Todd Robinson, que foi secretário de Estado adjunto para narcóticos internacionais e segurança no Departamento de Estado durante o governo do presidente Joe Biden. "Mas acho que a estratégia está fundamentalmente errada. Organizações criminosas não são organizações terroristas."
Robinson disse que os EUA haviam obtido mais avanços no combate aos traficantes na América Latina ao se concentrarem no "aparato de segurança civil treinado para enfrentar essas organizações —ir atrás do dinheiro delas, reunir provas, indiciar e processar e, dentro do Estado de Direito, levar essas pessoas à Justiça".
Uma abordagem militarizada, por outro lado, não conseguiu conter o fluxo de drogas para os EUA e poderia resultar em execuções extrajudiciais, afirmou Robinson.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.