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Pensar pouco e opinar sobre tudo: por que isso faz mal aos neurônios

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Pensar pouco e opinar sobre tudo: por que isso faz mal aos neurônios

O talentosíssimo e afiado escritor angolano-português Valter Hugo Mãe veio recentemente ao Brasil para lançar O Século dos Imbecis , um romance em que transforma a estupidez em uma alegoria.

Seu personagem principal, Agilulfo, marquês da Malandrinha, é um homem cuja inteligência varia conforme a altitude: no alto da montanha, é lúcido; à medida que desce do castelo, vai ficando progressivamente mais imbecil.

Em entrevistas, o autor conta que o livro nasceu da percepção de que, na contemporaneidade, “há uma inclinação para a decadência do que é conhecimento”.

E vai além: diz que nós, hoje, chegamos a demonstrar certo orgulho da estupidez (“glorificação da ignorância”), que “chafurdamos no raso” e sobrepomos sentimentos e percepções à realidade.

Hugo Mãe nos dá um tapa na cara — mas de forma divertida, porque o tom do livro é irônico.

Estará ele errado? Talvez não: basta olhar o celular.

Alguém pergunta o que deveria ser feito em relação às pessoas trans e, em poucos segundos, aparecem certezas de todos os lados — sobre identidade, medicina, educação, direitos e legislação — antes mesmo que muita gente tenha se dado ao trabalho de entender a complexidade da questão.

O mesmo acontece quando discutimos neurodivergência: rapidamente passamos de uma tentativa de compreender o fenômeno para certezas sobre o que é transtorno, o que é diferença, o que deve ser tratado e o que deve ser simplesmente aceito.

Continua após a publicidade E, se o assunto for a guerra no Oriente Médio, então, nem se fala: opiniões definitivas aparecem de pessoas que provavelmente teriam dificuldade para apontar no mapa os países envolvidos.

Agora, um especialista em aviação brasileiro e influenciador com milhões de seguidores desenvolve, tragicamente, uma grave doença neurodegenerativa e lá vêm os oportunistas de plantão afirmar, sem nenhuma evidência — nem empatia — que alguma vacina causou aquilo.

Podemos acrescentar eleições, segurança pública, drogas, economia, educação.

Escolha o assunto.

A opinião vem antes da pesquisa.

E sabe o que é curioso? Essa disposição para pensar pouco e opinar sobre tudo tem muito a ver com outro assunto que a humanidade anda cada vez mais interessada em discutir: como envelhecer bem e, particularmente, como preservar nosso cérebro ao longo de uma vida cada vez mais longeva.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.

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