Cientistas em Viena e Pequim criam primeiros relógios nucleares do mundo
Cristal de fluoreto de cálcio em um suporte com um feixe de laser sondando os núcleos de tório em laboratório da TU Wien, em Viena, Áustria 7 de outubro de 2026.
T.
Schumm, TU Wien/Imagem cedida via REUTERS Equipes científicas que trabalham separadamente em Viena e Pequim desenvolveram os dois primeiros relógios nucleares operacionais do mundo, em um importante avanço na medição do tempo, que promete amplas aplicações práticas e oferece uma nova ferramenta para investigar a física fundamental.
Os dois dispositivos representam a próxima geração de relógios atômicos, máquinas de medição de tempo ultraprecisas criadas pela primeira vez em 1949.
As duas equipes de pesquisa, ao descreverem suas conquistas nesta quarta-feira em artigos científicos publicados na revista Nature, afirmaram que os relógios nucleares têm o potencial de superar os melhores relógios atômicos convencionais, mas ainda não o fazem. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Eles são chamados de relógios nucleares não porque sejam movidos a fusão ou fissão nuclear, como um leigo poderia supor, mas porque o tempo é calculado a partir do monitoramento de como a luz -- um laser de alta potência -- interage com o núcleo de um átomo.
Ambos os relógios nucleares são baseados em uma forma, ou isótopo, do elemento tório, chamado tório-229, aprisionado em cristais de fluoreto de cálcio no estado sólido.
“As duas equipes trabalharam de forma independente e conseguiram colocar em funcionamento relógios nucleares de tório-229 ao mesmo tempo, utilizando abordagens experimentais diferentes.
Acho isso muito encorajador, pois mostra que o conceito é robusto e não depende de uma implementação técnica específica”, disse o físico Shiqian Ding, da Universidade de Tsinghua, na China, que ajudou a liderar a equipe responsável pelo relógio de Pequim.
“A criação de um relógio nuclear era algo com que os físicos sonhavam há quase 50 anos.
Na minha equipe, temos trabalhado nesse objetivo desde 2008”, disse o físico Thorsten Schumm, da TU Wien, na Áustria, que ajudou a liderar a equipe responsável pelo relógio de Viena.
Schumm prevê aplicações para os relógios nucleares em áreas como navegação por satélite, sincronização de transferência de dados, topografia e metrologia, que é o estudo da medição e de suas aplicações práticas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Os relógios atômicos convencionais medem o tempo usando lasers ou micro-ondas para fazer com que partículas subatômicas chamadas elétrons saltem de um nível de energia para outro na camada de um átomo, utilizando elementos como o césio ou o estrôncio.
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