Crime organizado na política exige ação de mão dupla
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Um dos políticos mais influentes das últimas décadas na cidade de São Paulo , exercendo notório poder em variadas gestões municipais, o ex-vereador Milton Leite (União) é alvo de um mandado de prisão temporária em operação que investiga a infiltração do crime organizado no transporte público .
Deflagrada por ordem judicial nesta quinta-feira (17), a Operação Vectura Corrupta apura se empresas de ônibus que prestam serviço a municípios paulistas passaram a ser geridas por integrantes do Primeiro Comando da Capital após ganharem licitações.
Tais suspeitas existem desde os anos 2000, quando cooperativas clandestinas de perueiros se tornaram viações formais na capital.
Em junho, por exemplo, o vereador Senival Moura (PT) foi detido sob suspeita de ligação com esquema de lavagem de dinheiro para o PCC também por meio de uma viação, a Transunião.
Além de Leite, outras 15 pessoas estavam sob ordem de captura. Um dos presos é Levi dos Santos Oliveira , que até fevereiro de 2025 presidia a SPTrans, empresa que administra o sistema de ônibus, na gestão do prefeito Ricardo Nunes ( MDB ) —um antigo aliado do ex-vereador. A Justiça também investiga eventual corrupção de servidores.
Legislador por sete mandatos consecutivos (1997-2024) e o mais longevo chefe da Câmara Municipal (2017-18 e 2021-24), Milton Leite mantém suas bases na periferia da zona sul. Mesmo sem cargo, segue firme no cenário político: ajudou diretamente a eleger dois vereadores em 2024 e tem dois filhos deputados, um estadual e outro federal.
Até ontem considerado foragido, o ex-edil negou qualquer relação com a facção e prometeu se entregar nas próximas horas. Disse ainda não ser, como classificou o desembargador Sérgio Ribas na sua decisão, o "dono de fato" da viação Transwolff, acusada de lavar dinheiro para o PCC.
Para além dos limites paulistanos, abundam evidências de que, nos últimos anos, as facções espalham com vigor seus tentáculos sobre os setores público e privado do país, numa espécie de economia criminosa híbrida.
A longa e árdua tarefa de contenção impõe uso de tecnologia e inteligência para rastrear movimentações financeiras e cooptação de agentes públicos, em forças-tarefas que incluam todo o sistema de Justiça e órgãos fiscalizadores, como a Receita Federal e o Coaf.
A curto prazo, mas não menos relevante, cabe ao eleitor redobrar a atenção sobre suas opções em outubro —parte dos candidatos, como se sabe, tem campanhas financiadas por quadrilhas.
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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.