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Política

Ditadura militar no Brasil vira tema de jogo de cartas

Folha · Poder ·
Ditadura militar no Brasil vira tema de jogo de cartas

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A advogada Eunice Paiva , viúva do deputado Rubens Paiva, o jornalista Vladimir Herzog , morto pela repressão, e o líder político Leonel Brizola já foram lembrados em livros e filmes sobre a ditadura militar no Brasil . Agora eles e outras figuras notáveis desse período surgem em um jogo de cartas que ganhou o nome de Censura.

Projeto do estúdio Tijolo , que reúne três amigos de São Paulo e do Rio de Janeiro com experiência na criação de jogos, Censura acompanha os principais momentos do período autoritário, que se estendeu de 1964 a 1985.

O jogo está na fase final de uma campanha de financiamento coletivo, com previsão de lançamento em novembro.

"Queremos que as pessoas joguem e reflitam sobre a sociedade em que vivemos", diz Renato Sasdelli, desenvolvedor de jogos, produtor e um dos integrantes da Tijolo.

Os outros membros do grupo são o designer de games Alex Olteanu e o designer gráfico Max Duarte.

Censura é o segundo projeto do estúdio. Em março, a Tijolo lançou Imperialismo: América, que trata das relações dos Estados Unidos com os países da América Latina ao longo das mais de quatro décadas da Guerra Fria .

Nas duas iniciativas, o grupo contou com a colaboração constante do professor Vitor Soares, do podcast História em Meia Hora.

Censura começou a surgir em meados do ano passado a partir do contato dos integrantes da Tijolo com docentes do ensino médio para mostrar Imperialismo: América. Os professores elogiavam o enfoque do jogo, mas diziam, entre outras observações, que preferiam uma opção mais em conta –Imperialismo custa R$ 230; Censura deve sair por R$ 100.

Com o novo projeto, havia também o desejo do estúdio de abordar a história recente do Brasil.

Ao longo do desenvolvimento de Censura, um dos objetivos da equipe foi conciliar o aspecto lúdico com a gravidade do tema escolhido. "É muito difícil falar de um assunto pesado em um jogo porque pode parecer que estamos minimizando o tema. Tenho certeza de que não fizemos isso", diz Vitor Soares, responsável pelos breves textos que aparecem nas cartas.

Adotar o tom certo do didatismo foi outra preocupação. Segundo Soares, "não queríamos que ficasse maçante, que tivesse um jeito de palestrinha".

Indicado para quem tem mais de 14 anos, Censura pode ser jogado por duas, três ou quatro pessoas. E há ainda um "modo solo", como diz Sasdelli –ou seja, a possibilidade de jogar sozinho.

É conduzido por 44 cartas que destacam, em ordem cronológica, alguns dos principais episódios da ditadura, como a criação do SNI (Serviço Nacional de Informações), em setembro de 1964; o AI-2 (Ato Institucional número 2), que extinguiu os partidos em outubro de 1965; e o AI-5, que fortaleceu muito o aparato repressivo em dezembro de 1968.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www1.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha · Poder.

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