ONG teria desviado R$ 420 mil para papelaria da nora de "pastor talarico"
Investigada pela Polícia Federal (PF), a Associação Beneficente Evangélica (ABE) recebeu R$ 850 mil de verbas federais para promover ações de capacitação e projetos culturais.
Deste valor, o grupo teria desviado cerca de R$ 420 mil para a papelaria Bras Gel, em Taguatinga Sul (DF) sob o contrato para “ensino de música”.
A empresa que embolsou o valor pertencia à Poliana Rodrigues Lopes Xavier, nora do pastor da Assembleia de Deus Manoel Pereira Xavier, 53, acusado de ser o dono oculto da entidade sem fins lucrativos .
O marido dela e filho do pastor, Jesimiel Pereira Xavier, também integrou a estrutura como ex-funcionário.
Contratada pela Secretaria de Educação do DF para gerir creches públicas entre 2012 e 2025 por um valor de R$ 117 milhões, a empresa é investigada por servir de fachada para um esquema de desvio de verbas públicas .
A entidade sem fins lucrativos foi fundada pela Igreja Evangélica Assembleia de Deus (ADEB) de Brasília, em 1984, e tem 18 filiais no Distrito Federal.
A associação recebeu R$ 850 mil em dois convênios feitos com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em 2024.
Os dois ministérios e a Secretaria de Educação estão apurando os contratos firmados, mas ainda não foram acionados formalmente pela PF para prestar esclarecimentos.
Leia as notas na íntegra no fim da matéria .
Leia também Distrito Federal PF mira “pastor talarico” em esquema de desvios milionários em ONG do DF A investigação não especificou qual montante está em investigação por suposta utilização da verba de forma irregular.
O Ministério Público do DF (MPDFT) e o Tribunal de Contas do DF (TCDF) chegaram a apontar irregularidades na prestação de contas nos anos de 2024 e 2025.
“Pastor talarico” no comando do esquema A investigação iniciada em maio de 2025, após denúncia anônima, revelou um esquema de corrupção baseada em diretores “laranjas”, empresas de fachada e contratação em massa de parentes dos envolvidos .
Formalmente, a associação era liderada pelo pastor Willthimberg Bittencourt da Silva, 51 anos.
Segundo os investigadores, o presidente da ONG exercia o papel de “laranja” apenas para assinar documentos e cumprir requisitos legais.
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