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Arrecadação com bets é seis vezes menor que custo ao país, diz estudo

UOL Economia ·
Arrecadação com bets é seis vezes menor que custo ao país, diz estudo

Os danos causados por apostas online custam R$ 38,8 bilhões por ano ao Brasil, um valor quase seis vezes maior do que o total arrecadado com impostos do setor, segundo um estudo do IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde).

O custo social das apostas e jogos de azar no Brasil atinge R$ 38,8 bilhões anuais, segundo o estudo. Desse total, R$ 30,6 bilhões são gastos diretamente com saúde física e mental, incluindo tratamentos de depressão e prevenção ao suicídio.

A arrecadação de impostos sobre o setor de apostas online saltou para R$ 6,8 bilhões entre janeiro e setembro de 2025. O montante é 180 vezes superior ao mesmo período de 2024, mas cobre apenas uma fração dos danos sociais gerados no país.

O Ministério da Saúde recebe apenas 1% do valor recolhido sobre a receita bruta das empresas de apostas. O dossiê, elaborado pelo IEPS e parceiros, alerta que não há verba carimbada para o atendimento dessas pessoas na rede pública de saúde.

O IEPS afirma que a geração de empregos com carteira assinada pelas empresas de apostas é irrisória. Em dezembro de 2024, o setor registrava 1.144 postos formais de trabalho ativos, uma média de 19 funcionários por empresa.

Para cada R$ 291 faturados pelas empresas de apostas, apenas R$ 1 é convertido em salários formais, aponta a pesquisa. O setor também tem 84% de informalidade, contra uma média nacional de 36%.

Entenda a metodologia usada. Foram combinadas a análise regulatória nacional e projeções estatísticas baseadas no modelo de saúde britânico. O trabalho dividiu-se em dois eixos: o primeiro avaliou os marcos regulatórios nacionais, respostas a requerimentos de informação enviados aos Ministérios da Saúde e da Fazenda, e o relatório do Grupo de Trabalho Interministerial; o segundo eixo projetou os custos sociais das apostas no Brasil aplicando a paridade do poder de compra ao estudo de 2023 do órgão britânico Office for Health Improvement and Disparities — que mensura danos por depressão e suicídio por meio de anos de vida perdidos ajustados por qualidade —, utilizando dados da Receita Federal, da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua e do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas.

O IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável) contesta a metodologia do estudo e aponta dados desatualizados. A associação afirma que foram usadas projeções especulativas e que o estudo usa como base dados do Reino Unido como base de comparação, sem considerar a realidade socioeconômica brasileira e o cenário pós-regulação de 2025.

A entidade critica a falta de distinção entre operadoras licenciadas e clandestinas. Segundo o instituto, o estudo generaliza o setor e ignora que os riscos de fraude e endividamento estão no mercado ilegal, que representa 51% do total, enquanto as plataformas reguladas com domínio ".bet.br" adotam biometria facial e ferramentas de autoexclusão.

O setor rebate os números sobre geração de empregos e tributos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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