Onda de calor na Espanha pode levar ao aumento do preço do azeite?
Azeite Freepik Os incêndios que atingem o sul da Europa neste verão reacenderam o alerta sobre a crise climática na região e voltaram os olhares para a Espanha, maior produtora mundial de azeite de oliva e um dos países afetados.
A preocupação é com uma nova crise no preço do produto, o que, até agora, é uma hipótese afastada por associações do setor. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Isso porque, apesar de o fogo ter atingido oliveiras em regiões pontuais, as áreas responsáveis pela maior parte do cultivo seguem longe dos focos e a expectativa é de uma safra recorde, o que deve manter os preços do produto estáveis globalmente.
Onda de calor agrava incêndios e provoca crise energética na Europa Incêndios preocupam, mas não atingem áreas-chave A Espanha responde por 70% do azeite produzido na União Europeia e 45% do azeite consumido no mundo, segundo o Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação do país.
Por essa razão, há uma preocupação sobre os impactos da crise climática nas plantações, incluindo de oliveiras.
Na província de Castellón, por exemplo, um incêndio recente provocou entre 35 milhões e 40 milhões de euros em prejuízos à agricultura local, segundo a associação agrícola Asaja.
Para o Conselho Oleícola Internacional (COI), há uma preocupação com os recentes incêndios que atingiram o país.
Estrada na Espanha cercada pelas chamas de um incêndio florestal, em 9 de julho de 2026 EMA Infoca No entanto, neste momento, a entidade considera que "ainda é cedo para avaliar o impacto potencial na produção de azeite e de azeitonas" e que "uma avaliação confiável exigirá informações detalhadas das áreas afetadas e só poderá ser realizada quando a extensão dos danos tiver sido verificada pelas autoridades nacionais competentes".
O Ministério da Agricultura da Espanha informou que está levantando dados sobre o impacto dos incêndios mais recentes em áreas agrícolas e pecuárias.
A pasta ressaltou que as regiões mais atingidas pelos incêndios não são, em geral, grandes produtoras de azeite – com exceção de parte da Sierra de Espadán, também em Castellón, cujo impacto nas exportações é considerado pequeno.
Para especialistas, a preocupação central não é o fogo em si nas áreas atingidas, mas os efeitos secundários do clima extremo.
A Espanha enfrenta restrições hídricas prolongadas, o que reduz a umidade do solo e pode provocar a queda prematura das azeitonas antes da colheita.
Além disso, ondas de calor sucessivas podem comprometer a qualidade dos frutos e elevar os custos de produção, que podem ser repassados ao consumidor final.
O COI pondera que a crescente frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos "são motivo de preocupação cada vez maior para o setor olivícola".
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