6x1: em parecer, relator mantém texto da Câmara para acelerar votação
O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1, o senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou, nesta quinta-feira (27/8) seu parecer pela admissibilidade da matéria .
O senador rejeitou as emendas apresentadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e manteve o texto aprovado pela Câmara dos Deputados a fim de acelerar a tramitação.
O senador avaliou, em seu parecer, que nenhuma das sugestões de mudança apresentadas por senadores “corrige vício, supre lacuna ou aperfeiçoa o texto” referendado pelos deputados .
Com isso, a PEC fica mais perto da promulgação, uma vez que mudanças de mérito implicariam no retorno da matéria à Câmara, alongando o processo até a conclusão do debate.
O relator defendeu que a redução da jornada representa uma atualização das regras trabalhistas diante das mudanças ocorridas desde a Constituição de 1988.
Ele lembrou que o limite de 44 horas semanais está em vigor há 38 anos e afirmou que a revisão desse patamar “não é, nesse contexto, ruptura, mas atualização há muito devida” .
Aziz também argumentou que as jornadas mais longas atingem principalmente trabalhadores de menor renda e escolaridade.
Com base em dados do Ipea, o senador destacou que 80% dos vínculos com carga superior a 40 horas semanais recebem até dois salários mínimos.
Para o relator, a redução da jornada é, por isso, uma medida de “justiça distributiva, e não apenas de política laboral”.
Aziz também comparou a proposta ao movimento adotado por outros países.
Ele citou Colômbia, Chile e México, que aprovaram cronogramas de redução da jornada semanal , e afirmou que o Brasil mantém hoje um limite superior ao padrão de 40 horas defendido há décadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
No parecer, o senador afirmou ainda que a substituição da escala 6×1 pela 5×2 pode ampliar o tempo destinado ao descanso, à convivência familiar e a outras atividades, como estudo e lazer.
Para Aziz, jornadas extensas aumentam o desgaste físico e psicológico.
“Não é a quantidade de dias trabalhados que assegura maior produção: os estudos disponíveis indicam que a saúde mental e a produtividade decaem sob jornadas extensas e concentradas, de modo que o trabalhador descansado rende mais e erra menos”, afirmou.
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