Piloto que denunciou políticos concorre a deputado federal
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O piloto Mauro Caputti Mattosinho ficou conhecido no final do ano passado por denunciar esquemas envolvendo políticos e empresários acusados de terem conexão até com o crime organizado. Nesta eleição, concorre a deputado federal, pelo PSB de São Paulo.
O piloto conta que desde as denúncias à PF (Polícia Federal), no ano passado, já sofreu ameaças, não tem endereço fixo e muda de residência regularmente para não ser localizado. Não vê nenhuma chance de retornar à carreira de piloto, apesar de ter trabalhado na aviação civil por 17 anos. Entende que a atuação parlamentar pode ser uma alternativa mais efetiva de combate à corrupção que viu de perto.
"Com o passar do tempo e das investigações, ficou evidente que o sistema se acomoda. Apenas denunciar não basta", afirmou à Folha .
"Para que pessoas tão poderosas sejam punidas por seus crimes, existe uma luta politica a ser travada."
Em janeiro de 2025, Mattosinho se filiou ao PSOL sem pretensões políticas, diz ele. "Comecei a faculdade de historia, e estava me organizando para dar aulas em um cursinho popular de uma turma do partido."
Em março deste ano, após a vida virar do avesso, trocou de legenda, indo para o PSB. Segundo ele, o partido acolheu as suas pautas.
Uma de suas bandeiras como candidato é reorganizar a aviação civil para que opere com mais transparência. Por experiência própria, ele afirma que aeroportos de aviação executiva no Brasil têm controles falhos , bem diferentes dos aplicados ao passageiro comum, que permitem o trânsito de valores e cargas sem a devida vistoria das autoridades.
Mattosinho trabalhou na TAP (Táxi Aéreo Piracicaba). Conta que entre os clientes que transportou estavam os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco , e Mohamad Hussein Mourad, o "Primo".
Em agosto de 2025, ambos foram alvos da Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, fraudes fiscais no setor de combustíveis e conexões com o PCC (Primeiro Comando da Capital), que teriam levado à lavagem de dinheiro no setor financeiro formal. Beto Louco e Primo são considerados foragidos pela Justiça.
Mattosinho começou a desconfiar de seus passageiros quando Primo foi citado num programa do Fantástico, da Globo, em julho de 2024, por suspeita de participar de um esquema de adulteração de combustíveis e fraudes fiscais no setor. O piloto afirma que, a partir da cabine de voo, passou mais de um ano reunindo provas e registrando relatos que, entregues às autoridades, contribuíram para formalizar denúncias.
Segundo ele, apesar de prestar depoimento e entregar provas, não quis entrar para o programa de proteção a testemunhas porque se afastaria da família e talvez sair do país.
Diz ainda que preferiu usar a exposição pública em redes sociais como proteção. Foi lá, por exemplo, que detalhou publicamente o que informou às autoridades e mantém postagens regulares. Sua página no Instagram tem 92 mil seguidores. Mas afirma que quer dar continuidade ao trabalho de investigação por dentro da máquina.
"Existe uma caixa preta em Brasília.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.