Walcyr Carrasco põe ponto final em história que Jane Austen deixou inacabada
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Quando a escritora britânica Jane Austen morreu, em 1817, ela deixou uma obra inacabada. À época, a autora de "Emma" e "Orgulho e Preconceito" escrevia "Sanditon", livro que acompanha a jovem Charlotte Heywood. Mais de dois séculos depois, a trama ganha agora um desfecho pelas mãos do novelista Walcyr Carrasco , no ar atualmente com a novela "Quem Ama Cuida" , da TV Globo.
O projeto teve início quando a editora Principis propôs que Carrasco terminasse a história que Austen deixou inconclusa. Após aceitar a missão, o escritor leu todas as obras da britânica para conseguir entender o estilo da autora. "Queria pegar o jeitão dela, ou seja, o jeito de uma senhora inglesa que tinha outra cabeça e viveu em outro mundo", diz o autor, em entrevista por videochamada.
"Hoje, por exemplo, os códigos morais da literatura são outros. Os dela eram mais rígidos. Então, o desafio foi manter o romance que a autora propõe dentro dessas coordenadas."
Em seus livros, a britânica fazia uso da ironia fina para criticar os costumes de seu tempo, como a imposição do casamento às mulheres e o desejo por status social a qualquer custo.
"Ela não era uma autora que se rendeu às convenções da época. Pelo contrário, as personagens dela sempre são um pouco não convencionais", afirma Carrasco. "Eu tentei manter isso, ou seja, essa personagem um pouquinho à frente de seu tempo."
Em "Sanditon", essa figura é Charlotte, a filha mais velha da família Heywood. Um dia, o patriarca do clã decide hospedar o empresário Tom Parker após o homem sofrer um acidente de carruagem perto da propriedade da família.
Como agradecimento, Parker leva Charlotte para passar uma temporada em Sanditon, balneário idílico que dá nome ao livro e onde a história da protagonista se desenrola.
Se em "Orgulho e Preconceito" Austen ironiza a obsessão pelo matrimônio, aqui o alvo de sua pena ferina é a especulação imobiliária. Isso porque Parker quer transformar o pacato balneário em um resort de luxo com ajuda de Lady Denham, uma viúva endinheirada conhecida por sua mesquinhez.
Por meio dessa personagem, Austen satiriza a ganância e a busca desenfreada por riqueza. No entanto, enquanto a britânica optou pelas sutilezas, Carrasco escolheu evidenciar essas críticas por meio da acidez e do choque.
Isso fica evidente em uma cena escrita por ele, na qual Lady Denham prefere deixar seus convidados passarem fome a servir comida a eles, mesmo tendo à sua disposição uma despensa farta.
Humor mordaz e preocupações pecuniárias aparecem de forma recorrente nas novelas de Carrasco, conhecido por folhetins como "Chocolate com Pimenta" , "O Outro Lado do Paraíso" e "A Dona do Pedaço" .
São tramas que se popularizaram ao falar de vaidade, ambição e desejo de vingança, temas comuns a "Quem Ama Cuida", hoje sucesso no horário nobre da Globo —apesar das críticas quanto à repetição de fórmulas e falta de inventividade . Outro trunfo seu são os hipervilões sem espaço para ambiguidades, caso de Pilar, a personagem cômica e espalhafatosa de Isabel Teixeira na atração.
"A literatura é muito movida pela vilã.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.