Tem vaga, mas até servente de pedreiro está difícil de achar na construção civil
A dificuldade para encontrar trabalhadores em funções braçais e técnicas já alcança até ocupações consideradas porta de entrada para a construção civil.
Pedreiros, serventes, carpinteiros, mestres e encarregados de obra aparecem entre os profissionais mais difíceis de contratar, segundo levantamento feito pelo sindicato do setor com empresas associadas em Mato Grosso do Sul.
Isso já foi identificado pela Funsat (Fundação Social do Trabalho) de Campo Grande.
Segundo o diretor-presidente da instituição, João Henrique Bezerra, algumas profissões tradicionais estão com oferta reduzida de trabalhadores.
“Soldador, não tem soldador no mercado”, resume.
Ele afirma que o problema não se limita à soldagem e associa parte da escassez a uma mudança entre gerações.
Na avaliação do diretor-presidente, trabalhadores que passaram a vida em atividades manuais buscaram para os filhos outras profissões.
O pai foi soldador.
Ele trabalhou para o filho se tornar um advogado, um médico, e não para seguir aquela tradição.
Cada dia vai ter menos, porque o pedreiro que foi pedreiro quer formar o filho para ser um engenheiro.
Então o filho não vai bater massa, ele vai querer se tornar um engenheiro”, afirmou João Henrique.
A percepção também aparece dentro da própria indústria da construção.
Amarildo Miranda Melo, vice-presidente do Sinduscon-MS (Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção de Mato Grosso do Sul), afirma que a dificuldade de contratação não é recente e está entre os principais obstáculos apontados pelo setor.
“A falta de mão de obra qualificada não é um desafio novo para a indústria da construção e está entre os principais gargalos para o crescimento do setor”, disse.
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