Linchamento em Copacabana: polícia investiga serviço ilegal de segurança
O inquérito que apura as circustâncias da morte por linchamento do ciclista Cláudio Rafael Landeiro em Copacabana, na zona sul do Rio, também vai investigar a prestação de serviço ilegal de segurança privada. Dois dos quatro presos atuavam como seguranças de estabelecimentos da região. Cláudio Rafael foi morto porque um grupo achou que ele teria roubado a bicicleta que pedalava , que pertencia à irmã dele.
Segundo o delegado Ângelo Lages, Davi e Jorge faziam parte do mesmo grupo que fornecia serviço clandestino de segurança privada. Eles atuavam em ruas distintas no bairro, mas mantinham contato entre si e andavam com porretes.
O segurança Jorge Luiz Ricardo Dias foi o primeiro a se entregar na 12ª DP (Copacabana) na manhã de quinta-feira. Já Davi se entregou na 53ª DP (Mesquita) no início da noite. Jorge teria abordado Cláudio na rua Barata Ribeiro, mas não há indícios de que tenha participado diretamente nas agressões. Davi, por sua vez, também realizou a abordagem e deu cerca de 30 pauladas na vítima.
Grupo de justiceiros pode ter incentivado agressões. O delegado Ângelo Lages afirma que, até o momento, não há indício de ligação entre o grupo que agrediu Cláudio Rafael e justiceiros que atuam na zona sul do Rio, mas o delegado acredita que a divulgação de imagens dos justiçamentos nas redes sociais pode ter incentivado outras pessoas a agirem da mesma forma.
Dos quatro presos, três confessaram. Em depoimento, Jorge, Davi e Felipe confessaram a participação do linchamento de Cláudio Rafael, e apenas Aílton se manteve calado. Ele foi o último a se apresentar na delegacia, ontem à noite . Nas imagens da agressão, uma quinta pessoa aparece e dá um chute na cabeça da vítima. A polícia ainda tenta identificar quem é este homem.
Segurança disse que teria sido alertado por morador sobre suspeita de bicicleta roubada. Em depoimento, um dos seguranças afirmou que abordou Cláudio Rafael depois de ter sido informado por um morador de que ele estava em atitude suspeita com a bicicleta. O delegado Ângelo Lages diz que não há imagens que confirmem a versão do segurança até o momento.
Linha de investigação aponta para homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras são: motivo fútil, impossibilidade de defesa da vítima e meio cruel.
Bicicleta que homens suspeitavam ser roubada era de uma das irmãs de Cláudio, segundo a família. "Ele abordou meu irmão e supôs que ele era um ladrão, agrediu ele e deixou que outros homens o levassem para a rua Felipe de Oliveira, uma rua escura, para matá-lo", disse Fabiana Landeiro, uma das irmãs da vítima, em vídeo gravado e divulgado nas redes sociais.
Um vídeo obtido pelo UOL mostra Cláudio saindo de casa por volta das 22h26, de 11 de agosto, em posse da bicicleta. Após abrir o portão, ele sai empurrando o veículo . Ele vivia com a mãe e duas irmãs na residência em Botafogo, na zona sul.
Cláudio tinha transtornos psicológicos, contam os familiares. Ele fazia acompanhamento profissional. "Mesmo em meio a tantas dificuldades, eu sempre consegui enxergar a bondade e a vontade de viver que existia nele", disse uma prima dele em seu perfil social.
O homem morreu por traumatismo craniano e hemorragia interna.
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