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O homem que aprendeu a atravessar o rio

Bem Paraná ·

Mark Twain, um dos grandes escritores norte americanos, conhecia como poucos as contradições humanas.

Talvez porque tenha passado boa parte da vida observando homens que se julgavam melhores do que realmente eram.

Twain tinha uma vantagem sobre a maioria dos moralistas: preferia contar uma boa história a fazer um sermão.

Sabia que a realidade, quando bem narrada, costuma dispensar adjetivos.

Lembrei-me dele na noite em que Sergio Moro foi eleito governador do Paraná.

Há uma ironia nessa história que certamente agradaria ao escritor americano.

O homem que passou boa parte da vida julgando os atos dos outros precisou, em determinado momento, submeter sua própria trajetória ao julgamento popular.

E foi justamente o voto que lhe abriu um novo capítulo.

Conheço Moro desde os primeiros tempos de sua vida pública.

Vi de perto a transformação de um juiz reservado, acostumado à linguagem precisa dos processos, em um dos personagens mais conhecidos da história recente do Brasil, admirado por milhões de brasileiros e combatido com extraordinária intensidade por aqueles que viram seus interesses e suas certezas ameaçados.

Nada disso estava nos seus planos originais.

Na magistratura, Moro participou de um capítulo extraordinário da história brasileira.

A Operação Lava Jato revelou um gigantesco esquema de corrupção envolvendo agentes públicos, dirigentes partidários, empreiteiras e empresas estatais.

Pela primeira vez em muito tempo, brasileiros acostumados a ver o poder protegido por sua própria importância assistiram a figuras poderosas responderem perante a Justiça.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.

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