Visita do Papa à Argentina expõe equilíbrio delicado entre Igreja e governo Milei
A apenas um mês da esperada visita do papa Leão XIV à Argentina, a Igreja Católica local mantém um delicado equilíbrio em sua relação com o governo do presidente Javier Milei.
Enquanto os preparativos para a agenda do pontífice avançam em clima de cooperação, setores da Igreja manifestam preocupação com a vulnerabilidade social, a pobreza, a crise enfrentada por pessoas com deficiência e o que consideram uma retóric a agressiva no discurso público.
Segundo fontes citadas pelo jornal argentino Infobae, a organização da visita de Robert Prevost – nome de batismo de Leão XIV – está transcorrendo de maneira “harmoniosa” entre representantes da Igreja Católic a e a Casa Rosada, sede do governo argentino.
As mesmas fontes afirmaram que estão sendo realizados os “a justes finais” da operação, principalmente em questões relacionadas à segurança, ao deslocamento dos fiéis e à coordenaçã o dos diferentes eventos previstos durante a passagem do pontífice pelo país.
Os preparativos também contam com a partici pação dos governos da província de Buenos Aires, da província de Córdoba e da Cidade Autôno ma de Buenos Aires.
Apesar da colaboração na organização da visita, a relação entre a Igreja e o governo Mil ei tem sido marcada por divergências desde que o presidente assumiu o cargo, em dezembro de 202 3.
As diferenças se concentram principalmente nas políticas econômicas e sociais adotadas pela administração, que tem como prioridades a redução do déficit público e a regulação do mercado.
Nas últimas semanas, as críticas de setores da Igreja ao governo gan haram intensidade.
Recentemente, o arcebispo de Buenos Aires, Jorge García Cuerva, fez um pronunci amento interpretado como uma crítica à retórica de Milei e ao que considera uma normalização da agressivid ade, tanto nas redes sociais quanto em ambientes institucionais.
“Nossa nação tem muitos abraços pendentes: ab raços de perdão diante de tanta difamação e insulto; abraços de solidariedade diante de tanta indifer ença”, afirmou o religioso.
“As feridas da difamação, da intolerância e da violência física e verbal estão infeccionadas, e parece que o coração do povo está sendo infectado”, acrescentou.
Dias dep ois, às vésperas da grande peregrinação à cidade de Luján, García Cuerva voltou a abordar a s ituação social do país.
Em sua mensagem, alertou que Leão XIV será recebido por “uma Argentina em crise”, com um grande número de pessoas vivendo em extrema pobreza.
A declaração ocorreu pouco depois da divulgação de dados oficiais sobre a pobreza e a indigência no país.
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