Longe das promessas de campanha, projetos da sociedade civil avançam na saúde pública
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Uma parte relevante da política pública de saúde brasileira vem sendo escrita longe dos programas de governo divulgados neste período eleitoral. São soluções que nasceram de iniciativas da sociedade civil e que viraram leis, resoluções, protocolos e linhas de cuidado dentro do SUS (Sistema Único de Saúde ), muitas vezes mais rápido e mais concreto do que qualquer promessa de campanha.
Uma das mais emblemáticas é a Lei Antifumo , que completou 30 anos em julho deste ano. Desenhada e apoiada por profissionais da saúde e de entidades da sociedade civil organizada, ela foi a primeira norma de alcance nacional a restringir o consumo e a propaganda de cigarros no Brasil.
Em 2009, também pressionado pelo ativismo antifumo, o estado de São Paulo sancionou a lei que baniu completamente o cigarro em locais fechados e de uso coletivo, endurecida dois anos depois para eliminar a brecha que ainda permitia fumódromos.
A socióloga Paula Johns, cofundadora e diretora-executiva da ACT Promoção da Saúde e uma das lideranças do movimento antitabagista no Brasil, lembra que, antes da lei paulista, dois projetos com o mesmo mote tramitavam há anos no Congresso sem avançar.
Diante do impasse federal, organizações da sociedade civil mudaram de escala: criaram um comitê em São Paulo que passou a premiar empresas que adotassem ambientes livres de fumo mesmo sem lei que as obrigasse, e promoveram ações de visibilidade, como protestos com pessoas deitadas em frente à Assembleia Legislativa, vestidas de caveira.
O resultado foi a sensibilização do então governador José Serra (PSDB) e, por fim, a aprovação da lei. "Ela só saiu do papel graças à mobilização permanente. A lei paulista foi copiada por dezenas de municípios e, mais tarde, pavimentou o caminho para a legislação federal", diz Paula.
Para ela, esse modelo, evidência técnica, aliados e disposição para "bater na porta" de gestores e legisladores, se repete hoje em outras frentes, como a inclusão do refrigerante no imposto seletivo da reforma tributária .
A agenda da alimentação escolar é outro exemplo. Uma lei municipal do Rio de Janeiro, de 2023, que proibiu oferta, venda e propaganda de ultraprocessados nas cantinas escolares , inspirou outros municípios e deu tração para uma lei federal.
"O banimento dos ultraprocessados é uma proteção para as crianças. O consumo regular desses produtos contribui para doenças crônicas, incluindo diabetes e câncer", afirma Rodrigo Prado, secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
O banimento dos ultraprocessados é uma proteção para as crianças.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.